Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Francisca Van Damme… um tacho

O Governo apresentou informação falsa acerca de um magistrado chamado José Guerra, o seu preferido e escolhido para ser o Procurador Europeu. Recorde-se que um comité de peritos da União Europeia havia escolhido a candidata Ana Carla Almeida como a melhor opção para desempenhar a função.

Portanto, o Governo discordou do comité de peritos alegando que José Guerra era o candidato mais qualificado. De facto, José Guerra apresentou-se com determinadas qualidades que os outros candidatos não têm, não fora um pequeno problema, as qualidades foram inventadas e, pior que isso, partiram, ao que tudo indica, do próprio Governo. Entre as qualidades fabricadas estavam a indicação de que José Guerra é procurador-geral-adjunto e de que o próprio havia liderado a investigação e a acusação num dos casos mais graves de fraude com fundos comunitários, conhecido como o processo UGT.

José Guerra, que já está no desempenho e usufruto da tão desejada prebenda, disse não ter nada a ver com a elaboração da carta enviada pelo Governo, nem com os rasgados elogios à sua pessoa.

A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, já veio assumir as falsidades contidas na tal carta e assegurar que todo o processo decorreu com total “boa-fé”. A senhora ministra acrescentou que o “lapso” da informação contida na carta será prontamente corrigido. Pois, só que entretanto o senhor José Guerra já está no tão ambicionado pouso.

Francisca Van Dunem teve ainda o desplante de dizer que “de facto, nem o Procurador da República, José Guerra, nem qualquer outro dos candidatos detém a categoria de procurador-geral-adjunto”. Pois não, senhora ministra. Mas também nenhum dos outros candidatos o afirmou, apenas a candidatura de José Guerra proposta por V.a Ex.a padecia dessa patranha.

Já não há paciência para este tipo de actuação fraudulenta, que tem como único objectivo a habitual satisfação das clientelas dos partidos que ocupam o arco da governação. O nepotismo continua a ser um dos principais legados que o sistema democrático herdou - com muita avidez - do sistema ditatorial.

Considero que uma ministra que pactua com uma situação com estes contornos – e logo a ministra da Justiça – não tem condições para continuar no cargo. Não obstante, é imperioso que o Primeiro-ministro António Costa se pronuncie e actue em conformidade, mas receio que a sua postura em relação a este caso seja a mesma que adoptou face aos ultrajantes aumentos salariais na TAP, entre outras situações, demasiadas situações. António Costa acobarda-se vezes demais para quem lidera o Governo de Portugal.

Espero que os portugueses se lembrem destas e de outras situações inaceitáveis quando estiverem na cabine de voto. E que não se esqueçam que do outro lado do rio está outro PS - apenas com mais um D – e que só o cheiro é diferente.