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“Garrafagate”: a hipócrita revolta dos meninos ricos da bola

No decorrer deste Euro 2020 foram já três os jogadores de futebol que, aparentemente, se rebelaram contra uma marca de refrigerante e outra de cerveja, no decorrer de várias conferências de imprensa. O primeiro foi Ronaldo a retirar duas garrafas de Coca-Cola da sua beira e apelar para que se beba água. Seguiu-se-lhe Pogba, que não gostou de ter uma garrafa de Heineken em cima da mesa. Posteriormente, Locatelli também se sentiu muito incomodado com a presença de uma garrafa de Coca-Cola (apenas uma delas, saliente-se).

É bastante curioso que estes jogadores - que já andam nestas lides há séculos - só agora tenham reparado nas garrafas de bebida que se encontram ali por alguma razão. E é ainda mais curioso que tenham decidido “revoltar-se” contra estas marcas quase em simultâneo, dentro do mesmo evento. Ora, quem por cá anda há uns aninhos percebe que o mais provável é que as marcas visadas estejam a pagar – e bem – a estes jogadores, para fazer aquilo que fizeram. Por vezes, aquilo que parece nefasto para a imagem de uma marca, pode resultar num substancial acréscimo nas vendas. Se calhar, por essa razão, os jogadores envolvidos na polémica ainda nem sequer foram chamados à atenção, pois, como deveriam saber, não têm o direito de retirar os produtos daquele lugar. As marcas pagaram - e bem - para que eles fossem colocados naquele local. Contudo, a partir de agora, serão muitas mais as pessoas a reparar nas marcas que estão em cima da mesa das conferências de imprensa. E por aí fora.

Convém também não esquecer que este tipo de vídeos, quando colocados nas redes sociais dos próprios geram-lhes receitas astronómicas.

Agora, fazendo um esforço para acreditar que Ronaldo – que até já fez anúncios para a Coca-Cola -, Pogba e Locatelli se sentiram mesmo incomodados com a presença daquelas bebidas, convém então lembrá-los que são aquelas marcas (e outras que tais) que pagam os seus voluptuosos salários. Estamos a falar de jogadores de futebol que ganham milhões, Ronaldo é o que mais ganha, de longe. E sempre que alguém se insurge contra os valores exorbitantes que muitos jogadores de futebol ganham, vem logo a sua armada defensora dizer que eles são os grandes responsáveis por todo o negócio que gira em torno do mundo do futebol. Ora, se os jogadores são os grandes responsáveis pelos grandes negócios que giram em torno do futebol, as marcas são as grandes responsáveis pelos valores pornográficos que são pagos aos jogadores. A vida destes e de muitos outros jogadores de futebol está alicerçada no poder financeiro destas e de outras marcas, que patrocinam o futebol há décadas.

Portanto, quando o senhor Ronaldo fez aquela birrinha, alguém na sala deveria tê-lo lembrado de imediato que ele não costuma fazer o mesmo com o dinheiro que recebe daquela marca ou de qualquer outra envolvida no grande negócio, apesar dos efeitos nefastos que os seus produtos causam na saúde das pessoas e no meio ambiente.

E de repente dei por mim a imaginar qual seria o comportamento destes meninos riquinhos, caso as conferências de imprensa fossem efectuadas a partir das suas garagens.

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