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RAPIDINHA

Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino.

Gorbatchov vs. Gorbachev

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Foi ontem a sepultar o último Presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchov (ou Gorbatchev). Paz à sua alma.

Tal como era previsível, o mundo ocidental – que é maioritariamente russofóbico – imbuiu-se de uma comoção geral em torno desta grande figura política da segunda metade do século XX, que só por acaso é de nacionalidade russa. O mundo ocidental teceu enormes e rasgados elogios a Gorbatchov. Se repararem, o mundo ocidental também costuma elogiar alguns dos actuais oligarcas russos, mas só depois de estes falecerem e, supostamente terem entrado em rota de colisão com o governo de Putin. Fica-se com a sensação de que para o mundo ocidental, russo bom é russo morto.

Por cá, aqueles que manobram o espaço da comunicação social – os do costume – acompanharam a missiva internacional (que surpresa) e também disseram e/ou escreveram coisas semelhantes às de lá de fora, dando a ideia de que estavam a ler a mesma cartilha. Ai e tal, Gorbatchov ensinou-nos o significado das palavras “Perestroika” e “Glasnot” e mais uma série de frases feitas que têm um único objectivo, e não é o de enaltecer ou homenagear o último líder soviético, com toda a certeza.

Pelo meio, ainda tiveram tempo para cair em cima do PCP (e depois não aceitam ser acusados de perseguição), mostrando-se surpreendidos pela posição pouco amistosa com que o Partido Comunista se referiu a Gorbatchov na hora da sua partida. Ora, é preciso não conhecer nada da história e conhecer muito mal o PCP, para dizer que a posição assumida pelos comunistas é “surpreendente”. A posição de PCP não só foi a esperada, como foi absolutamente coerente com as anteriores posições assumidas pelo partido.

Mas afinal, qual a principal ilação a retirar das reacções à morte de Gorbatchov? Simples. Uma vez mais, o mundo ocidental comporta-se como um rebanho de acéfalos, entre os quais impera a unanimidade e a abundância da concordância. No “ocidente democrático”, os todo-poderosos não têm necessidade de implementar ditaduras, já que impera o seguidismo. E ainda se arrogam no direito de apontar o dedo à Rússia, acusando-os de não serem capazes de demonstrar uma posição consensual sobre a figura de Gorbatchov.

Será assim tão difícil perceber que, de facto, Gorbatchov não foi uma figura consensual? Gorbatchov tomou grandes decisões que produziram enormes consequências nos países que integraram a ex-URSS e nem todas foram boas, muito pelo contrário. Portanto, qualquer pessoa que conheça minimamente essa parte da história do século XX, rapidamente concluirá que Gorbatchov não é, nunca foi, nem poderia ser uma figura consensual. Mas no ocidente dos consensos não são admitidas posições contrárias, nem mesmo liberdade para cair em zonas cinzentas. Não, no ocidente tem que ser tudo preto ou tudo branco, porque é assim que aqueles que ditam o que é preto e o que é branco exigem que seja. E a manada está cá para seguir obedientemente.

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