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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Governo erra e depois pune os cidadãos

Já vem sendo um hábito neste governo decidir punir ou atribuir culpas aos cidadãos, depois de se espalharem por completo na tomada de decisões.

Em apenas cinco dias, sem que nada se alterasse, o Governo atestou que a vacina da AstraZeneca era absolutamente segura, para depois suspender a sua administração e voltar a atestar a sua fiabilidade. Podem escudar-se nas desculpas esfarrapadas que muito bem entenderem, averdade é que a suspensão da administração da vacina da AstraZeneca em Portugal cabe exclusivamente às autoridades portuguesas, ao Governo.

Independentemente de nada ter ficado provado, ou seja, de não haver provas de correlação entre os casos de tromboembolias e a vacina, nem o seu contrário, a realidade é que nada se alterou durante o período de suspensão da vacina, isto é, não surgiu nenhuma informação que pudesse alterar o que quer que fosse em relação à continuidade da administração desta vacina. Além disso, o Governo e a Agência Europeia do Medicamento sempre garantiram que, independentemente do que se viesse a apurar – não sei o que raio imaginaram que pudesse ser apurado em três dias – a vacina da AstraZeneca não iria ser retirada do Plano de Vacinação contra a Covid-19.

Ora, neste contexto, a suspensão da vacina não fez qualquer sentido e, agora, muito menos sentido faz castigar os cidadãos pelos receios que estes possam ter em relação a esta vacina. Se mesmo antes de se terem tornado públicos os casos de tromboembolias, a vacina da AstraZeneca já era vista com algum cepticismo, pelo facto de a própria AstraZeneca desaconselhar a sua aplicação a pessoas com mais de 65 anos, agora, com o reporte destes casos, com esta atitude estapafúrdia das autoridades da saúde e, sobretudo, a decisão vacilante do Governo, não é de estranhar que algumas pessoas sintam alguma repulsa em relação a esta vacina.

Faz algum sentido enviá-las para o fim da fila, caso recusem receber esta vacina? Claro que não. O que deve ser feito nos casos de recusa – que é um direito que assiste a cada um de nós – é ser colocado em espera, até que outra vacina esteja disponível.

Quem originou este imbróglio não foram as pessoas e quem acentuou o clima de desconfiança foi o próprio Governo, com a sua habitual trajectória ziguezagueante. Agora, como antes, querem castigar as pessoas pelos seus (do Governo) próprios erros. Querem coagir as pessoas a devolver o capital de confiança a uma vacina que eles próprios descredibilizaram.

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