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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

A cotação do petróleo continua em queda, mas os combustíveis vão aumentar. Porquê? Porque sim. Além disso, o Euro2024 está a começar e andam todos distraídos a bater palmas ao autocarro da selecção... portanto, é uma boa altura para aumentar os preços.

Ils ne sont plus Charlie

Aqueles que outrora andaram por aí a gritar que estavam disponíveis para lutar até à morte, para que o próximo pudesse dizer/escrever/desenhar o que bem entendesse, já não estão interessados nessa luta. Perderam o interesse na liberdade de expressão com a mesma rapidez com que deixaram de se preocupar com os perigosos “precedentes” na política ou até mesmo com a tolerância, sendo eles próprios, agora, os maiores intolerantes da praça.

Uma vez mais, os comentadores Daniel Oliveira e Pedro Marques Lopes marcaram presença no programa Eixo do Mal, para fazer aquilo que melhor sabem fazer e para o qual são pagos: defender a classe política reinante.

No último programa, chamados a pronunciar-se sobre o famigerado cartaz da manifestação dos professores nas celebrações do Dia 10 de Junho, que caricaturava António Costa, os dois comentadores de serviço disseram coisas como:

“Os lápis nos olhos são um incitamento à violência”; “O visado é que sabe o grau de ofensa do cartaz e o racismo que sentiu”; “não está em causa a liberdade de expressão, até porque ninguém foi preso”; “ah e tal, o cartaz é apenas insultuoso, não tem conteúdo”; “os professores não são cartoonistas, não era uma manifestação de cartoonistas”, “era algo que estava numa manifestação”.

Portanto, os inveterados defensores da liberdade de expressão já não estão disponíveis para defender até à morte aquilo que outro tem para dizer, falar ou desenhar. Hélas!

Na altura do ataque ao Charlie Hebdo, o foco era a “liberdade de expressão”, como bem maior a ser preservado. Somente a “liberdade de expressão”, porque era o factor mais relevante e aquele que está na base de um sistema democrático, que era preciso defender a qualquer custo. Mas agora o foco mudou. Agora o foco vai para “o mau gosto”, para “a boçalidade dos autores dos cartazes”, para a “violência da imagem”, para a “intensidade da ofensa” que pode causar no(s) visado(s) ou até mesmo para a “categoria profissional” de quem envergava o cartaz em causa e/ou o momento e a situação em que esse cartaz é exibido.

Para estes dois soldadinhos disciplinados do poder instituído, a liberdade de expressão é o bem maior a defender quando os visados são gente de terceira categoria, como os muçulmanos. Se os visados forem políticos, primeiros-ministros ou outros membros do poder, então a liberdade de expressão fica para terceiro plano e o foco passa a ser “o mau gosto”, “a ofensa” ou “a violência da imagem”.

Estes dois patetas do comentário deveriam estar a trabalhar no Cirque du Soleil, tal é a capacidade que evidenciam para o contorcionismo.