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Contrário

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João Miguel Tavares e o "ímpeto reformista" de Cavaco

João Miguel Tavares é um daqueles comentadores que está constantemente a contradizer-se e, ainda assim, consegue manter as várias posições que ocupa como suposto especialista no métier. Até Marcelo o convidou para mestre-de-cerimónias do 10 de Junho.

 

No seu último artigo de opinião, Tavares solta ruidosos hosanas ao recém-criado Movimento 5.7, que no passado Sábado apresentou o seu manifesto. A figura de proa é Miguel Morgado que, segundo Tavares, é o melhor valor do PSD depois de Cavaco, de quem sente muitas saudades. Tavares “admira genuinamente” o percurso de Morgado. E porquê? Porque o conhece bem, provavelmente até são amigos, e porque alega que o deputado do PSD “quer alguma coisa para o país”.

 

Portanto, o mesmo Tavares que passa a vida a criticar a lista de amigos de António Costa é o mesmo que considera que o seu amigo Miguel Morgado é o melhor político português da actualidade. Se João Miguel Tavares fosse Primeiro-ministro (o diabo seja surdo), não tenho dúvidas que convidaria o seu amigo Miguel Morgado para uma pasta, ou seja, faria aquilo que tanto critica em António Costa.

 

Tavares gosta bastante dele (de Morgado) apenas pela amizade, até porque não se conhece nada de relevante no percurso político de Miguel Morgado. Pior ainda, este movimento agora criado não apresenta nenhuma ideia nova para o país, apenas a habitual retórica. Eu diria até que não há nenhuma diferença entre o Movimento 5.7 e o Aliança de Santana Lopes que, por acaso, só por mero acaso, João Miguel Tavares não aprecia.

 

Mas onde raio é que isto vai desaguar no Cavaco? Simples. Tavares escreveu, com aquela grande lata que o caracteriza, que os governos de Cavaco Silva tiveram um “ímpeto reformista”. Ora, eu fiz um pequeno esforço de memória e tenho que admitir que Tavares tem razão neste ponto. “Ímpeto reformista” é, de facto, uma expressão bastante reveladora daquilo que foi a governação cavaquista e daquilo que foi e é Cavaco Silva, desde logo, porque Cavaco é o maior coleccionador de reformas. Cavaco também foi o grande reformador da Função Pública e o Primeiro-ministro a quem milhares de funcionários do Estado, nomeadamente professores aposentados precocemente devem as suas voluptuosas reformas. Digam lá se Cavaco não tinha um verdadeiro ímpeto reformista.

 

Poderia ainda salientar a especial vocação de Cavaco em “mandar para a reforma” o sector agrícola, as pescas, o sector da metalurgia e metalomecânica, a ferrovia, o sector têxtil e do calçado, etc. 

 

E nem vou perder tempo a escrever sobre a especial "vocação reformista" de Cavaco para reformar o sistema financeiro, dando azo ao aparecimento de ilustres instituições como o BPN, etc.

 

Enfim, João Miguel Tavares é conhecido por ser um menino que decorou bem o catecismo, mas a ansiedade de ver um amigo seu chegar ao poder e receber um convite está a deixá-lo num estado frenético.

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