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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Justiça fecha as "portas" aos submarinos

O caso dos submarinos foi arquivado, sem que houvesse julgamento, acusações e prisões preventivas

 

Para quem não se recorda dos pormenores deste caso, sugiro que leiam o seguinte artigo da Visão, publicado a 18 de Dezembro:

 

Caso dos submarinos: uma polémica na maioridade

 

Mas faço questão de aqui destacar alguns dos principais e intrigantes momentos, que desencadearam a investigação. Ora, relembremo-nos...

 

6 de Novembro de 2003Por sugestão do ministro da Defesa, Paulo Portas, o Governo decide adjudicar o contrato aos alemães. No relatório técnico que acompanha essa resolução lê-se, quanto às contrapartidas, que a proposta alemã tem classificação de "fraco" enquanto a francesa tem de "médio".

12 de Novembro de 2003 - O consórcio francês recorre ao Supremo Tribunal Administrativo para anular a decisão do Governo de Durão Barroso.

21 de Abril de 2004 - Portas assina o contrato de compra dos submarinos aos alemães.

Final de Dezembro de 2004 - Numa conta bancária do CDS, partido de Paulo Portas, dá entrada um milhão de euros em notas, depositadas durante vários dias.

Março de 2005 - No âmbito das investigações do caso Portucale, Abel Pinheiro e Paulo Portas são escutados a falar sobre "acordos" com o "Luís das Amoreiras", que, segundo a imprensa, será Luís Horta e Costa, presidente da ESCOM.

Julho de 2006 - Nas investigações do processo Portucale aparecem ligações ao negócio dos submarinos e surgem suspeitas de corrupção. O procurador Rosário Teixeira abre um processo autónomo só para os submarinos.

17 de Março de 2011 - DCIAP pede informações sobre Paulo Portas ao Ministério Público de Munique que acusa dois ex-quadros da Ferrostaal de pagamento de mais de 62 milhões de euros em "luvas" para garantir encomendas de submarinos por Portugal e pela Grécia.

16 de Dezembro de 2011 - Em Munique, dois ex-gestores da Ferrostaal admitem ter distribuído subornos, em Portugal e na Grécia, para obterem as encomendas. Os ex-executivos da Ferrostaal são condenados a dois anos de prisão com pena suspensa e a pesadas multas. A Ferrostaal teve de pagar uma multa de 140 milhões de euros.

7 de Novembro de 2013 - Numa reunião do Conselho Superior da família Espírito Santo, Ricardo Salgado confessa: os cinco clãs da família receberam, em 2004, cinco dos 30 milhões de euros pagos pelo consórcio alemão à ESCOM. Quinze milhões foram para os gestores daquela empresa: Bataglia, Ferreira Neto e Luís Horta e Costa. Mas Salgado fala ainda de uma sexta pessoa: "Os tipos [da ESCOM] garantem que há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia".

24 de Abril de 2014 - Pela primeira vez, em oito anos de investigação, Paulo Portas é ouvido enquanto testemunha, no Caso dos Submarinos.

Para que conste, o juiz deste processo chama-se Carlos Alexandre e o procurador chama-se Rosário Teixeira. Que engraçado! Os mesmos que meteram o Sócrates na cadeia, por muito menos. Mais engraçado ainda, o facto de CDS e PSD estarem constantemente a tentar relacionar o caso BES com o caso Sócrates, quando o próprio Ricardo Salgado reconheceu (em 2013) os favorecimentos ao seu banco e familiares, bem como de outras pessoas, sendo que a "sexta pessoa" recebeu uma determinada quantia em determinado dia. Eu suponho que a quantia foi de, pelo menos, 1 milhão de euros. Deixo para vós a presunção do nome dessa pessoa.

 

Qualquer pessoa terá vontade de perguntar ao juiz e ao procurador:

 

- Porque razão Paulo Portas nunca foi detido para investigações? Foi ouvido como "testemunha" e apenas em 2014, onde já se marinava o arquivamento do caso.

- Como é possível que o senhor procurador e o senhor juiz, profissionais zelosos e cheios de rectidão, não tenham levado até às últimas consequências a investigação sobre os depósitos "em notas", no valor de 1 milhão de euros, numa conta do CDS?

- Como é possível ignorar-se escutas tão comprometedoras?

- Como é possível ter-se comprovado que houve corrupção, sendo que na Alemanha foram condenados os corruptores, mas em Portugal não existem corruptos?

 

P.S. Optei por colocar algumas frases a vermelho em alusão à quadra que atravessamos...