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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

A cotação do petróleo continua em queda, mas os combustíveis vão aumentar. Porquê? Porque sim. Além disso, o Euro2024 está a começar e andam todos distraídos a bater palmas ao autocarro da selecção... portanto, é uma boa altura para aumentar os preços.

Mas que grande socialista!

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Entra em vigor neste mês de Julho o “aumento intercalar das pensões”. O governo do Partido Socialista aprovou o aumento das pensões até 5.765 euros em 3,57%. Portanto, uma vez mais, o governo de António Costa decide proceder a um aumento igual (em percentagem) para todas as pensões. Bem, para todas não, porque o governo “socialista” entende que as pensões acima de 5.765 euros não carecem de aumento. Já as de três, quatro e cinco mil euros merecem, porque são baixíssimas.

Vejamos, com esta falácia de se aumentar as pensões pelo mesmo valor percentual, o que é que realmente acontece?

Acontece algo inacreditável, como o facto de haver pensionistas que vão ter um aumento que representa quase o valor de algumas pensões. Notem bem. Uma pensão de 300 euros terá um aumento real de 10,71 euros, já uma pensão de 5.700 euros terá um aumento de 203,49 euros. Portanto, as pensões mais elevadas terão um aumento de cerca de 20 vezes superior ao aumento que incidirá sobre as reformas mais baixas. E ainda há quem diga que este governo é socialista. Na verdade, é o “socialismo” do Partido “Socialista”, que de socialista não tem nada.

Os governantes têm o dever de mitigar as desigualdades existentes na sociedade. E sempre que há um aumento de pensões, os governos deveriam ter como missão reduzir a diferença de rendimentos entre as pessoas. Pelo menos, seria de esperar que um governo verdadeiramente socialista o fizesse. Trata-se de justiça social, que deve ser o principal papel do Estado. Se este se demite dessa função, quem a assumirá?

Nesse sentido, os aumentos nunca deveriam apresentar a mesma taxa de aumento para todas as pensões, porque isso só acentua as desigualdades no rendimento. Sim, é exactamente isto que o governo de António Costa está a fazer. Senão vejamos:

- neste momento, a diferença entre uma pensão de 300 euros e uma pensão de 5.700 euros é de 5.400 euros. Notem bem a exorbitante e absurda diferença;

- a partir deste mês, um pensionista que recebia 300 euros passará a receber 310,71 euros, já o pensionista que recebia 5.700 euros passará a receber 5.903,49 euros.

Portanto, de uma diferença absurda de 5.400 euros passa-se a ter uma diferença de 5.592,78 euros. Mais 192,78 euros de diferença, face ao cenário anterior. Ou seja, ao invés de reduzir a diferença entre as pensões que são insultuosamente baixas e as pensões mais elevadas, o governo decide aumentar ainda mais essa diferença. Esse não é o papel do Estado, muito pelo contrário. Aliás, esta medida é inconstitucional. Bem podem alegar que o aumento é igual porque a taxa de aumento é a mesma e, assim, está respeitado o princípio da igualdade. Mas isso não passa de uma manobra dissimulada porque, como bem detalhei, os aumentos reais (que é o que realmente importa) são muito diferentes. Muitíssimo maiores para quem já tem muitíssimo mais. Isto é inconstitucional e uma profunda injustiça social, que é tudo aquilo que o Estado deveria combater.

Mas que grande socialista é António Costa.