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RAPIDINHA

Merkel pôs a nu as verdadeiras intenções de “Minsk”

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Numa entrevista dada ao jornal Die Zeit, Angela Merkel admitiu que, aquando das negociações realizadas com Vladimir Putin em 2014 e 2015 (os famosos Acordos de Minsk), a paz nunca esteve na mente dos negociadores ocidentais, nomeadamente Alemanha e França, que tomaram parte do Grupo de Contacto Trilateral sobre a Ucrânia.

Afinal, o cessar-fogo no Donbass nunca esteve em questão. O que estava na mente dos negociadores do Ocidente era “ganhar tempo para que a Ucrânia se pudesse fortalecer” militarmente e se preparar para uma guerra com a Rússia. Merkel assumiu que era preciso "dar tempo à Ucrânia" porque naquela altura, em 2014, "a OTAN não tinha capacidade para fornecer armas a Kiev, nas quantidades com que o faz agora".

Como já toda a gente deve estar a par - mesmo os mais distraídos, os desinformados e os trolls -, os Acordos de Minsk visavam estabelecer o cessar-fogo e garantir uma resolução pacífica para a região do Donbass. Ora, segundo as recentes afirmações de Angela Merkel, parece que, afinal, Vladimir Putin foi o único que esteve de boa-fé nessas negociações. E o único a acreditar que os Acordos de Minsk constituiriam o garante da paz no Donbass.

É um facto inegável que a Rússia tentou uma solução diplomática e pacífica para a grave situação do Donbass, caso contrário não teria perdido tempo e teria actuado nessa altura, nos mesmos modos com que o fez em Fevereiro deste ano. Em 2014 e 2015, a Rússia tinha uma vantagem militar ainda maior do que aquela que detém hoje e, tal como referiu Merkel, nessa altura, a OTAN não dispunha da mesma quantidade de armamento que dispõe hoje, para fornecer à Ucrânia.

Por que razão iria Putin embarcar na realização de acordos de paz, se não fosse para os cumprir? Faz algum sentido pensar que a Rússia esperou oito longos anos de constantes e violentíssimos bombardeamentos no Donbass - perpetrados pelo governo ucraniano -, esperando que a Ucrânia se fortalecesse militarmente (com o apoio e treino da OTAN), para os enfrentar agora? É claro que não faz qualquer sentido e, tal como referiu Angela Merkel, quem esteve de má-fé nessas negociações de paz foram os intervenientes políticos do Ocidente.

Foi o Ocidente que estabeleceu, de forma muito clara, que as regras da diplomacia não são para se cumprir e que aquilo que os representantes políticos do Ocidente dizem, escrevem e assinam não tem qualquer valor e não é para se levar a sério, tal como aconteceu com a promessa de que a OTAN nunca avançaria para leste, que nunca ultrapassaria as fronteiras alemãs.

Portanto, em 2014, enquanto os Estados Unidos punham em prática um golpe de Estado na Ucrânia, com o objectivo de plantar um governo fantoche e, logo de seguida proceder ao aumento das infra-estruturas militares, ao treinamento militar e respectivo aumento do número de efectivos e da quantidade de armamento, Merkel e outros lacaios europeus andavam a entreter Putin com falsas intenções de paz no Donbass.

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