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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Mesmo à patrão

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Os patrões querem testes obrigatórios nas empresas, para todos os trabalhadores não vacinados. A CIP – para que conste, é a sigla que identifica a Confederação “Impresarial” de Portugal – pretende ainda que o custo da realização dos testes seja suportado pelos funcionários. António Saraiva sustenta que há uma “vacina gratuita”, pelo que quem a recusa deve fazer testes regulares e suportar esse custo.

Primeiro, importa recordar que vários estudos científicos, repito, estudos científicos, daqueles feitos por cientistas e tudo, estão a ver, já confirmaram que o vírus continua a ser transmitido também pela população vacinada. Só este facto, por si só, já seria razão mais do que suficiente para nem sequer se perder tempo com este tipo de alarvidades.

Segundo, se considerarmos os dados apresentados pela DGS e as suas previsões no muito curto prazo, rapidamente se conclui que a população activa não vacinada é completamente insignificante, pelo que esta proposta dos patrões é uma autêntica parvoíce.

Terceiro, se a vacina é eficaz, por que razão uma pessoa vacinada há-de sentir-se insegura e com medo, quando está perto de uma pessoa não vacinada, como alega o representante dos patrões? E, já agora, aquela maioria da população activa (aceitemos a inclusão dos próprios patrões) que tem filhos e/ou netos com idades inferiores a 12 anos, com quem convivem e coabitam, também se sentem ameaçados pela muito improvável proximidade de um colega de trabalho não vacinado?

Quarto, há que considerar ainda o facto de que algumas pessoas que optaram por não se vacinar fizeram-no porque já tiveram a doença e, como também sabemos, vários estudos científicos - daqueles feitos por cientistas -, demonstraram que muitas pessoas que recuperam da Covid-19 apresentam um grau de imunização superior ao conferido pelas vacinas. Imagine-se a estupidez que é exigir a realização de um teste a uma pessoa que até pode apresentar menor perigo para a transmissão do vírus do que a pessoa que está vacinada.

Portanto, só mesmo os tiques de autoritarismo podem levar alguém sequer a cogitar semelhante coisa.

Quinto – é a cereja no topo do bolo -, os patrõezinhos dizem que a as vacinas são gratuitas. Os patrõezinhos – sempre encostados ao Estado – têm esse péssimo hábito de achar que tudo o que vem do Estado é de borla (eu nem quero imaginar o que esta gente vai fazer com o jorro do PRR). Não, as vacinas não são gratuitas. Não só não são gratuitas, como são extremamente caras. E até sofreram um brutal aumento de preço há bem pouco tempo.

Mesmo à patrão.