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“Mesquita” judaica

Quem passa por aqui já deve ter notado que aprecio títulos com trocadilhos. É que, não raras vezes, torna-se impossível não cair nessa tentação. Como não fazer um trocadilho com o nome de Adolfo “Mesquita” Nunes, quando este defende a opressão e os crimes cometidos pelo governo israelita contra o povo palestiniano?

 

Mesquita Nunes, um especialista em Festivais da Canção, insurgiu-se contra todos aqueles que apelaram à não participação de Conan Osíris no Festival Eurovisão da Canção, a realizar-se em Israel, em Maio. Mesquita exortou para que “deixassem o Conan Osíris em paz”, escrevendo que “o que lhe está a ser pedido é que faça um boicote a Israel, que não vá representar Portugal por ser em Israel, que não se desloque a Telavive por ser em Israel, porque Israel é Israel e é Israel”. Ainda ironizou, escrevendo que “Ir a Israel, ao que parece, é legitimar o governo de Israel, a política de Israel, como se em Israel não houvesse gente, gente que é independente dos governos, que não é responsável pelo que é feito pelo Estado (israelita)…”.

 

Vamos lá ver se eu entendi bem. Mesquita está contra um pedido de boicote porque se trata de Israel, ou seja, porque esse boicote tem por base “boicotar” Israel. Mas… por que outra razão haveria de ser? Então, se aquilo que está na base do pedido de boicote é a atitude violenta que Israel exerce sobre o povo palestiniano em Gaza, a sua segregação, subjugação e aniquilação, que raio de boicote estaria Mesquita Nunes à espera que fosse pedido a Conan Osíris?

 

Se Telavive não fosse em Israel e fosse na Venezuela, talvez Mesquita já concordasse com o pedido de boicote. É que Mesquita é um grande defensor do boicote político e económico que alguns países (EUA à cabeça) fazem à Venezuela. Mesquita concorda com o bloqueio ao abastecimento de bens essenciais à população venezuelana, concorda com o embargo comercial e com o bloqueio financeiro internacional que deixou grande parte do povo venezuelano em dificuldades, povo esse que também não é responsável pelas acções dos governos. Mesquita apoia fervorosamente o bocoite ao povo venezuelano, por considerar que o governo de Maduro não é democrático, independentemente de o povo venezuelano concordar ou não com o seu governo. Por outro lado, não aceita “boicotes artísticos” a Israel, essa democracia em estado puro, onde se respira liberdade e as mulheres são tratadas por igual, segundo sustenta o próprio Mesquita. Porém, o Adolfo faz questão de ignorar o tratamento democrático que Israel impõe aos homens, mulheres e crianças palestinianas. Ou então, considera que isso encaixa perfeitamente no seu conceito de democracia.

 

Eu julgava que não existiam “Mesquitas” judaicas, mas estava enganado. Mas, em abono da verdade, o nome Sinagoga assentaria muito melhor ao Afonso, como seu nome do meio.

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