Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Mulheres no topo

O Governo anunciou que pretende uma maior representatividade das mulheres nos cargos de topo do Estado e prevê que, em 2019, elas possam desempenhar 40% dos lugares. A proposta do governo vai ainda mais longe ao pretender que as empresas que não cumpram com uma quota de 20% de administradores femininos possam sofrer suspensão da cotação.

 

Para isto ser possível, o governo necessita de alterar as regras sobre os concursos públicos. Como é do conhecimento geral, criou-se uma “coisa” que se chama CRESAP – Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, que serve para gerir os processos de recrutamento de cargos dirigentes superiores, basicamente.

 

Eu tenho muitas dúvidas em relação a este tipo de postura política, perante um assunto que considero de extrema importância. De facto, é notória a ausência de mulheres em cargos públicos de topo, e isso nota-se desde logo nos maiores cargos políticos. Por que razão não escolheram mais mulheres para as pastas ministeriais? Vejamos, a maioria da população portuguesa é do sexo feminino, a maioria de pessoas que trabalham na função pública são mulheres, até já há por aí estudos que atestam que as mulheres têm, em geral, mais qualificações académicas que os homens. Por que raio não são elas que estão a ocupar a maioria dos cargos públicos de topo?

 

Alterar a lei vai resolver alguma coisa? É sabido que a decisão final dos processos de recrutamento cabe sempre aos governantes. Também é do conhecimento público que, normalmente a esmagadora maioria de candidatos aos cargos públicos de topo são homens. E também toda a gente sabe que os escolhidos já o foram, mesmo antes de o concurso se tornar público. Toda a gente sabe que os escolhidos são gente que gravita em torno dos maiores partidos políticos (PS e PSD), e também toda a gente sabe que a maioria desses “satélites da política” são homens, pelo que não é de espantar que as escolhas acabem por cair maioritariamente neste género.

 

Já agora, se é para estabelecer igualdade de género, por que razão o governo aponta a meta de 40% e não de 50%? Isto faz-me lembrar aquela regra da “quota de representatividade de género” (na maioria das vezes erradamente chamada de “quota das mulheres”), que alguns partidos usam para formar as suas listas de candidatos, que diz que, pelo menos 33% da lista deve ser composta por um dos géneros. E, claro está, são as mulheres que acabam por preencher os tais 33% dos lugares, sendo que em muitos casos acabam por abdicar do cargo em favor de um homem.

 

Portanto, tudo tretas! Não acredito em nada disto. Muitos menos na igualdade conseguida “à força”. Não pode haver nada mais desproporcionado que uma igualdade imposta, especialmente quando são os próprios governantes que têm o poder da decisão final nas suas mãos.

 

O que importa garantir é que os concursos públicos sejam devidamente publicitados e que permitam a qualquer pessoa detentora dos requisitos necessários para o exercício das funções concorrer em pé de igualdade com os demais candidatos. E, acima de tudo, que seja tratado com equidade por quem o vai avaliar e decidir. E que deixe de ser considerado como um mero figurante num concurso inquinado na sua génese.

 

Propor uma lei com estes contornos é assumir que muito de errado se passa nos concursos públicos. E aprovar esta lei servirá apenas para colocar mais uma peneira na frente do Sol. O verdadeiro problema reside na perversão dos referidos concursos públicos, que culminam sempre com a escolha de um “boy” para a respectiva “job” e, sendo assim, estou-me nas tintas se o(a) escolhido(a) é um homem ou uma mulher. O que eu gostaria de ver era processos de recrutamento e selecção transparentes, e que no final se escolhesse o melhor candidato ou candidata. Se fosse assim, de certeza que não haveria tanta disparidade de género nos cargos de topo e, muito menos, necessidade de andar a criar cortinas de fumo para tentar esconder o verdadeiro mal.

 

Evidentemente que as mulheres têm capacidade para desempenhar as funções de topo, e se os tais processos de recrutamento fossem cristalinos e justos, certamente que haveria mais mulheres no desempenho de tais funções. Até nesse pormenor elas revelam mais inteligência, quero dizer, como sabem de antemão que se trata de processos inquinados, nem se dão ao trabalho de concorrer.

 

Transformar esta proposta do governo em lei, só vai acentuar ainda mais a fedorenta guerra que se trava nas trincheiras dos principais partidos. Se vier a ser aprovada, ainda vamos assistir à mudança de sexo de alguns homens só para poderem chegar ao topo, por via da quota feminina. Naquela guerra vale tudo.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.