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Contrário

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Não, a culpa não é de todos nós

Em Março/Abril, Portugal foi um dos melhores exemplos, no que respeita às medidas de prevenção contra a pandemia. Agora, Portugal é um dos piores exemplos do mundo, no que respeita aos números da mesma.

Desde os mais altos cargos políticos até ao cidadão comum, passando pela comunicação social, ouvimos dizer que o estado catastrófico das coisas é resultado do mau comportamento de todos nós. Pois. Mas não é.

Dizer que a culpa é de todos nós é apenas mais uma valente mentira que tem sido mediatizada, cujo único objectivo é desculpabilizar quem mais responsabilidade tem nesta matéria.

Os maiores culpados desta situação são – obviamente - todos aqueles que desrespeitam as regras estabelecidas, mas também aqueles que têm uma responsabilidade acrescida nesta matéria, desde logo, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o governo e as autoridades da saúde.

Com que legitimidade vêm agora as autoridades políticas atirar as culpas para cima dos desrespeitadores das regras, alegando que esses perderam o medo face aos perigos da Covid-19 e relaxaram em demasia, quando foram eles os primeiros – logo à cabeça, o Presidente da República e o Primeiro-ministro – a incentivar as pessoas a perder o medo?

Costa e Marcelo fartaram-se de incitar os portugueses a irem à praia, aos restaurantes, aos bares e esplanadas, às feiras do livro, aos concertos no Campo Pequeno, etc.

Será muito difícil perceber que foram os constantes e efusivos incentivos das autoridades máximas da nação que mais contribuíram para o relaxamento excessivo de muitas pessoas? E que uma vez perdido o medo, nunca mais se conseguiria conter os excesso levados a cabo pelos mais prevaricadores? Achar que o resultado não seria o que está à vista de todos, só mesmo quem não conhece minimamente o país em que vive, o país que governam.

Ainda em pleno Verão víamos imagens de inúmeras festas clandestinas, de ajuntamentos de jovens que faziam filas nas estações de serviço para comprar álcool – não para desinfectar as mãos – e passar a noite inteira nas praças e jardins deste país, muitos a cair de bêbados e todos sem qualquer respeito pelas regras do distanciamento social ou uso de máscara que, na altura, ainda nem sequer era obrigatório.

O que diziam António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa e as autoridades da saúde? Que o problema dos contágios não estava nos jovens. Diziam que naquela altura o problema estava nas pessoas que iam trabalhar e os transportes públicos.

Ora, o que pensaria e pensará um jovem imaturo que, mesmo comportando-se com total desrespeito pelas regras, se sente acobertado pelas principais autoridades políticas deste país?

E, mais recentemente, o desastre que foi a mensagem política passada pelo Natal, quando Costa, Marcelo e autoridades da saúde, contra a corrente dos números da pandemia vieram, uma vez mais, dizer que “era preciso salvar o Natal”, que era importante “permitir às famílias o tão esperado encontro (natalício) evitando, ao mesmo tempo, um novo aumento de casos duas a três semanas depois”.

Estava à vista de qualquer pessoa minimamente inteligente e responsável que “duas a três semanas depois” iria acontecer o que está a acontecer. 

Como é que o Primeiro-ministro pode conceber na sua mente a possibilidade de uma reunião familiar, sem que as pessoas estivessem sem máscara por muito tempo e sem que estivessem em espaços pequenos e fechados? Como poderia passar pela sua cabeça que era possível fazer as reuniões familiares - que ele e Marcelo tanto incentivaram - sem que houvesse desrespeito pelas regras?

Agora, lavam as mãos como Pilatos e dizem que as culpas são de todos quantos não mereceram o seu voto de confiança e desrespeitaram as regras.

É óbvio que a situação não estaria tão má, caso todos os portugueses tivessem sido responsáveis e tivessem ignorado e contrariado os levianos incentivos à prevaricação, levados a cabo pelos principais agentes políticos deste país. Porque foi isso que aconteceu, digam o que disserem, agora, Marcelo e Costa. Foram totalmente irresponsáveis na mensagem e as culpas têm que ser devidamente assumidas e não postas para trás das costas, como fez António Costa ao dizer que “isso é passado”.

Não, não é passado, senhor Primeiro-ministro. É bem presente, infelizmente, basta olhar para os números e para a situação calamitosa que se vive nos hospitais.

António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa deveriam pôr a mão na consciência. Não perceber o alcance das suas mensagens, sobretudo em tempos tão complicados, é não ter a mínima noção da responsabilidade dos cargos que ocupam.

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