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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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No dia da Liberdade, falemos de libertinagem

O director de informação da SIC, Ricardo Costa, finalmente, apresentou-se para justificar a opção da SIC em transmitir as imagens dos interrogatórios da “Operação Marquês”. Comecemos por esta afirmação de Ricardo Costa:

 

“Os jornalistas não são juízes nem políticos. Não se devem confundir com eles. Mas não podem usar as limitações ou as hesitações daqueles como argumentos para a sua confortável inacção, que, no limite, redunda numa profunda incompetência ou inutilidade”.

 

Pois bem, julgo que a primeira parte da primeira frase seria mais do que suficiente para que Ricardo Costa percebesse o grave erro jornalístico que cometeu. Os jornalistas não são juízes. Mas o mais curioso é o que vem a seguir, quando afirma peremptoriamente que os jornalistas têm a obrigação de pressionar a justiça. E o mais absurdo é classificar juízes e políticos como incompetentes e inúteis, quando a profissão que neste país faz questão de demonstrar diariamente uma profunda incompetência é a profissão “jornalista”.

 

Em boa verdade, Ricardo Costa deixou claro qual o objectivo da transmissão das referidas imagens. Esse objectivo não é o de informar, muito menos o interesse público é, antes, o de exercer pressão sobre a justiça, via opinião pública. A grande verdade é que a troco de audiências e talvez mais qualquer coisa, a SIC deixou-se instrumentalizar pela acusação, confundindo-se com ela.

 

É também muito curioso que, em sua defesa e da SIC, Ricardo Costa diga que os factos já eram todos conhecidos, porém justifica a transmissão das imagens com o interesse público, com o dever de informar. Ora, se os factos já eram todos conhecidos, qual o interesse de tudo aquilo? Qual o interesse de violar os direitos de imagem dos intervenientes? Excepto em relação ao juiz e ao procurador. Será porque uma imagem vale mais que mil palavras?

 

Ricardo Costa disse ainda que as peças foram criteriosamente seleccionadas. A sério? Como se ninguém tivesse dado conta. Foram tão criteriosamente seleccionadas, cortadas, coladas, metendo pelo meio efeitos especiais, adornos, figurantes e sonoplastia de ponta, que só atesta a perfídia e a falta de decoro patentes em todos quantos estiveram envolvidos no trabalhinho. Ricardo Costa e a SIC cometeram, talvez, o maior acto de não jornalismo alguma vez televisionado, batendo mesmo os melhores esforços da CMTV.

 

Mas, insisto, qual é a parte da Constituição da República Portuguesa, sustentáculo da Liberdade, que a SIC e Ricardo Costa fingem que não entendem? Será assim tão difícil perceber que as imagens de uma sala de interrogatório não podem, nunca, ser expostas em público? Independentemente de o processo estar ou não em segredo de justiça.

 

A transmissão daquelas imagens configuram um crime e a SIC, na pessoa do seu director de informação terá de responder por isso. O subterfúgio da não divulgação de fontes pouco ou nada valerá neste caso. E a tentativa absurda de querer colocar o direito de informar acima do direito de imagem também deverá valer muito pouco. Contudo, Ricardo Costa continua a dormir tranquilo porque confia na confortável inacção da justiça. 

 

No dia em que se comemora a Liberdade em Portugal, seria muito importante que se começasse a questionar se é esta a Liberdade que queremos.

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