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Nuno Melo: o cuco-político

Nuno Melo é aquilo que se pode chamar de cuco-político. Trata-se de mais um passaroco que esvoaça pelos corredores da política. Não se lhe reconhece nenhuma actividade que não seja a de sobreviver à custa dos contribuintes, sempre empoleirado nos mais seguros e solarengos ramos de árvore e sempre à espreita dos ninhos dos outros para colocar os ovos.

 

À semelhança do animal cuco (uma ave) que só consegue cantar duas notas musicais, também Nuno Melo só abre o bico para cantarolar duas notas (neste caso, são “notas políticas”): a nota “P” e a nota “S”. Nuno Melo não é capaz de abrir a boca para falar de outra coisa que não seja o PS. Ora canta sobre José Sócrates, ora sobre António Costa, ora sobre José Sócrates, ora sobre Edite Estrela, ora sobre José Sócrates, ora sobre José Sócrates e também sobre José Sócrates. Portanto, sempre sobre o “PS”.

 

E já lá vão tantos anos de governação do seu partido em Portugal e da sua família política na União Europeia (o seu último ninho), e Nuno Melo continua entretido a cantarolar sobre o PS e as suas gentes. E tem tanto para dizer sobre os últimos quatro anos.

 

Recentemente, lembrou-se de criticar um tweet de Edite Estrela que dizia o seguinte: “Se o PS tivesse maioria absoluta não teria vindo a troika.”. Nuno Melo que tem sempre as baterias apontadas ao PS, não perdeu tempo em tecer considerações sobre a afirmação. Por ser intelectualmente desonesto ou então completamente estúpido, apressou-se a enquadrar a afirmação de Edite Estrela no cenário pós-eleitoral das Legislativas de 2011, o que desvirtua completamente a análise. Toda a gente percebeu que Edite Estrela se referiu ao cenário de uma maioria absoluta socialista, no período pós-2009. Mas Nuno Melo, que só sabe cantarolar duas notas e já não aguentava mais um dia sem falar do PS (e José Sócrates) desatou a cucar. E como o seu alvo preferido dentro do PS é José Sócrates, que mesmo estando preso continua a tirar-lhe o sono, voltou a trazer o seu nome à baila, sustentando o seu fraco raciocínio no habitual rol de mentiras, que surtiram efeito na campanha de 2011 e que por isso continuam a ser exploradas até à exaustão.

 

Afirmações como: “O memorando de entendimento entre o Estado português e a ‘troika’ foi subscrito a 17 de Maio de 2011, por José Sócrates”. Toda a gente bem informada sabe que o memorando de entendimento foi assinado pelo governo em funções (o de José Sócrates) e pelos partidos PSD e CDS (o partido de Nuno Melo). O indecente Nuno Melo também é perito a fazer viagens ao passado, mas com muita selectividade, pois há assuntos que não lhe interessa abordar, por exemplo, deve-se ter esquecido que há não muitos anos atrás o seu partido era contra a presença de Portugal na União Europeia e, vejam bem, chegaram mesmo a apresentar a hipótese de referendar o assunto. Nuno Melo, que agora vive das boas regalias que a UE lhe proporciona, pensa de maneira muito diferente e até critica (chegando mesmo a gozar, com aquela superioridade saloia que o caracteriza) o facto de os gregos quererem referendar o pacote de propostas da troika. Mas voltando à selectividade das suas viagens ao passado, Nuno Melo foi cirurgicamente a um discurso de José Sócrates de 2011 para transcrever o seguinte: “Sempre considerei uma ajuda externa um cenário de último recurso. Tudo tentei, mas julgo que chegámos ao momento em que não tomar essa decisão acarretaria riscos que o país não deve correr. Por isso o Governo dirigiu hoje mesmo à Comissão Europeia um pedido de ajuda financeira.”.

 

Pois é. Nuno Melo deveria ter enquadrado melhor estas afirmações, que surgiram na sequência do chumbo do PEC IV na Assembleia da República, em que o CDS de Nuno Melo não perdeu a oportunidade de se lançar ao poder, dizendo “NÃO” às propostas do governo de José Sócrates. Propostas essas que receberam o total apoio do BCE, da Comissão Europeia, do Conselho Europeu e até do governo da Sra. Merkel. Se bem se lembram, na altura a Sra. Merkel afirmou em pleno Bundestag, que a decisão do parlamento português em chumbar o PEC IV foi irresponsável. Mas isso são factos que a memória de Nuno Melo guarda nos recônditos e obscuros corredores da sua cabecinha oca. Na altura discordava completamente do que dizia a Sra. Merkel, mas agora lambe-lhe as botas.

 

Se há alguém que tem estado em negação, esse alguém é o cuco-político Nuno Melo. Mas a negação tem sido tão constante, que as pessoas já se habituaram e muitos até embarcam nelas. É como as mentiras do Passos Coelho.

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