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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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O apoio “extraordinário” do Governo aos trabalhadores

Para fazer face às dificuldades que milhares de trabalhadores (por conta de outrem e estagiários, independentes e informais, do serviço doméstico e membros de órgãos estatutários) enfrentam, por se encontrarem numa situação de desprotecção económica devido às medidas restritivas e ao confinamento, o Governo criou um apoio social tão confuso e tão burocrático que já deu para perceber que o mais provável é que a maioria nem sequer receba qualquer apoio.

No essencial, aquilo a que o governo chama de “apoio” apresenta os seguintes valores:

“O valor do apoio oscila entre um limite mínimo de 50 euros e 501,16 euros para a generalidade dos universos. No caso dos gerentes de micro e pequenas empresas, empresários em nome individual, o limite máximo é de 1.995 euros”.

Portanto, este Governo – apelidado de socialista – vai atribuir um apoio entre 50 euros e 501,6 euros à esmagadora maioria dos trabalhadores que, numa situação normal, já são os mais desfavorecidos e precários. Note-se que, dentro deste intervalo de valores, a maioria receberá um valor mais próximo dos 50 euros do que dos 501,6 euros. Já aos gerentes de micro e pequenas empresas e aos empresários em nome individual que, regra geral, apresentam rendimentos mensais muito acima dos demais trabalhadores, o Governo reserva-lhes um valor que pode ir até aos 1.995 euros.

Ou seja, o Governo entende que aqueles que auferem rendimentos mensais baixos e que desenvolvem as suas actividades em situações laborais precárias devem ter uma ajuda muito, mesmo muito inferior à ajuda que pretende conceder àqueles que habitualmente já recebiam valores mensais bem acima da média da maioria dos trabalhadores portugueses.

Este governo entende que o Estado não deve funcionar como elemento equilibrador e atenuador de desigualdades, mesmo numa situação de emergência. Não. Para este governo, o Estado deve apoiar com mais aqueles que já costumam ter mais.

Um governo que actua desta forma, profunda e repugnantemente discriminatória, num momento de especial emergência social, imaginem só como procederá em relação aos milhares de milhões que hão-de vir na bazuca europeia.

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