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O eixo dos mal-entendidos

O Eixo do Mal é um programa de comentário da SIC Notícias, com emissão às quintas-feiras à noite. Os comentadores de serviço são: Clara Ferreira Alves, Luís Pedro Nunes, Pedro Marques Lopes e Daniel Oliveira.

No programa de ontem à noite foi abordada a acusação do caso BES. E o que disseram os entendidos no comentário?

O Luís Pedro Nunes disse sentir-se triste e ficou muito surpreendido com os meandros deste processo. Em 2009 não acreditava que houvesse corrupção deste nível em Portugal, julgava que só havia pequena corrupção. Por amor de Deus, eu não me recordo se em 2009 o Luís Pedro Nunes já ostentava a sua experiente barbicha, mas, estamos a falar de 2009 e não de 1959. Como é possível que alguém com espaço no comentário mediático possa dizer que, em 2009, não lhe passava pela cabeça que já havia este nível de corrupção em Portugal?

A Clara Ferreira Alves acha que, desta vez, esta gente vai parar à prisão, porque a justiça agora funciona. E deseja-lhes ainda que sejam condenados à pobreza que, segundo a própria é aquilo que os arguidos mais temem. À semelhança de Luís Pedro Nunes, a Clara Ferreira Alves parece viver alheada da realidade do país.

Quem ouvir estes dois comentadores e não conhecer minimamente o país ficará com a ideia de que, em Portugal, só existe alta corrupção há uma ou duas décadas. E, pior que isso, ficará também com a sensação de que o sistema judicial funciona e que casos como este não voltarão a acontecer.

Ao Pedro Marques Lopes deu-lhe para atacar o jornalismo, pelo facto de terem atirado para a ribalta as figuras de Cavaco Silva e Miguel Frasquilho, sustentando que nenhum deles foi acusado, nem sequer foram ouvidos no processo. Ora aí é que está o busílis da questão. Por que razão o senhor doutor juiz Carlos Alexandre não quis ouvir estes dois elementos? Vejamos, Cavaco recebeu dinheiro, alegadamente, proveniente do saco azul do BES e ainda afirmou publicamente que a instituição financeira se encontrava de boa saúde e era um banco sólido. Já Frasquilho recebeu pagamentos em diversas contas de familiares, nunca numa conta sua, alegando que pediu para que assim fosse, porque estava a dever dinheiro aos familiares e, então, pediu para que transferissem directamente para as contas desses familiares. Esta desculpa esfarrapada não cabe na cabeça de ninguém, mas Carlos Alexandre atribui-lhe plausibilidade. Carlos Alexandre também não achou necessário ouvir Cavaco Silva e sustentou que ele (Cavaco) não teve qualquer intenção em desinformar os portugueses. Ora, se nem se deu ao trabalho de falar com ele, como pode alvitrar sobre as suas intenções? Deve conhecê-lo de outras andanças, provavelmente.

Eu só gostava de saber quantas sessões de inquérito teriam sido convocadas (com depoimentos presenciais) e quantos milhares de páginas o senhor juiz se daria ao trabalho de redigir, se em vez de Cavaco tivesse sido Sócrates a vender a banha da cobra ao país e a receber dinheiro para a sua campanha eleitoral.

Daniel Oliveira foi o único que se mostrou mais esclarecido sobre o assunto, referindo que muito antes de 2009 já todos sabiam quem era Ricardo Salgado, pelo que nada disto é surpreendente. Alertou ainda para o facto de nenhum dos casos de corrupção postos a nu produziram qualquer refreamento no desmedido poder do sistema financeiro, muito menos nas sórdidas regras pelas quais ele se move.

Não sei se são os efeitos da pandemia, se é do calor ou se é o clima de pré-férias, a verdade é que se exige mais perspicácia e menos credulidade em quem tem tamanho espaço de comentário.

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