Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

RAPIDINHA

A cotação do petróleo continua em queda, mas os combustíveis vão aumentar. Porquê? Porque sim. Além disso, o Euro2024 está a começar e andam todos distraídos a bater palmas ao autocarro da selecção... portanto, é uma boa altura para aumentar os preços.

O fim dos petrodólares não é notícia

dólar.jpg

O domínio dos petrodólares chegou ao fim e isso não constitui assunto que mereça ser noticiado pela comunicação social. Na forja está o “petroyuan”, que se apresenta como a alternativa mais viável para substituir a predominância da moeda norte-americana.

A China já tomou a liderança do processo de mudança e até já estabeleceu vários acordos com diferentes países, no sentido de terminar com o domínio da moeda norte-americana nas transacções internacionais que envolvam o petróleo, mas não só. Até há bem pouco tempo, os EUA controlavam o negócio do petróleo através desse requisito essencial estabelecido em 1974, que determinava que todos os países teriam que transaccionar esta commodity em dólares. Isso fez com que houvesse uma constante procura pela moeda norte-americana. E quanto mais o mundo necessitasse de dólares, mais os EUA ganhavam com isso.

O paradigma alterou-se e o dólar está a perder – a uma velocidade estonteante – a sua primazia. O dólar sempre foi usado como a moeda principal nos negócios. Muitos países até usam o dólar como uma segunda moeda nas suas economias. Sendo que até os bancos centrais de inúmeros países fazem reserva em dólares. Mas com a redução drástica do uso do dólar nas trocas comercias, os EUA irão sofrer um impacto enorme na sua economia.

A principal ameaça ao dólar vem dos países que já assumiram que não querem mais fazer parte de uma situação que beneficia largamente os EUA e que não proporciona os mesmos benefícios às restantes partes envolvidas. Os países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e mais um largo número de outros países que pretende juntar-se a esses, já estabeleceram vários acordos que põem fim ao uso do dólar nas suas trocas comerciais. Muito recentemente, a China estabeleceu um acordo com o Brasil nesse sentido, sendo que as trocas comerciais entre estes dois países passarão a efectuar-se nas respectivas moedas de ambos e não em dólares. Já antes, a Rússia estabelecera vários acordos semelhantes com vários países. Também há poucas semanas, a China conseguiu um acordo histórico no médio-oriente, entre a Arábia Saudita e o Irão, imaginem só. Estes dois países até já reabriram as suas embaixadas nas respectivas capitais. Portanto, a China conseguiu aquilo que durante muitos anos os EUA fizeram questão que nunca acontecesse, isto é, uma relação de cordialidade entre sauditas e iranianos – os dois maiores produtores de petróleo no médio-oriente.

Já agora, um pequeno aparte. Alguém viu alguma notícia a dar conta desse acordo histórico entre a Arábia Saudita e o Irão? Não, essas coisas não são para se dizer. O que verdadeiramente importa é o discurso das armas e da guerra.

Adiante. A China e os vários países envolvidos estão a considerar a possibilidade de usar a moeda chinesa – o yuan – em substituição do dólar, mas também não está de parte a possibilidade de criarem uma nova moeda para as trocas comerciais entre si, nomeadamente nas trocas com os países sul-americanos. Uma coisa é certa, o recurso ao dólar está definitivamente posto de parte. Note-se que estes países representam cerca de metade da população mundial. Portanto, um mercado pequeno. Coisa pouca.

É claro que, agora, o novo foco de demonização de Washington vai ser a Arábia Saudita, que é o maior produtor de petróleo do mundo inteiro. A Arábia Saudita, que até há bem pouco tempo era unha e carne com o poder em Washington mudou completamente as suas intenções. Há alguns meses, aquando da visita de Joe Biden à Arábia Saudita ficou claro que as relações não mais continuariam a ser como antes, sendo que as pretensões demonstradas pelo Presidente dos EUA foram mesmo ignoradas pelo líder saudita, Mohammed bin Salman (MBS). A Arábia Saudita está totalmente virada para os negócios com a China e com a Rússia, por isso, não se admirem que a comunicação social comece a propagar uma narrativa de diabolização da Arábia Saudita. Na forja já estará uma cartilha que dará conta de que os sauditas não respeitam os direitos humanos e que MBS é um ditador que tem que ser deposto. Bem, qualquer pessoa minimamente esclarecida já está farta de saber como funciona o poder saudita. A questão é que até agora isso não constituiu um grande incómodo para ninguém, nem mesmo para os bonzinhos sonsos e tontos dos líderes europeus, que recentemente muito se congratularam pelo incremento dos negócios com o governo saudita.

Em suma, o grande negócio do petróleo mudou completamente. O dólar deixará de ser a moeda exigida nas transacções, sendo provável que o yuan se assuma como a moeda principal. Obviamente que o valor do dólar só poderá cair nos próximos tempos, o que fará com que as importações norte-americanas fiquem muito mais caras. E todos sabemos que a economia norte-americana depende muito das importações, sobretudo de onde? Da China, precisamente. Portanto, o cenário para a economia norte-americana não é nada auspicioso. E isso é o resultado da política externa desenvolvida por Washington durante décadas, que só tinha como objectivo exercer o seu domínio sobre a economia mundial. Esses dias acabaram. Claro que Washington continuará a manter algum poder na política monetária mundial, pelo menos enquanto mantiver debaixo do seu jugo instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. E, mais importante ainda, equanto controlar e subjugar - como bem lhe apetecer - a economia do espaço europeu.

Resta saber o que vai fazer a Europa. Se vai continuar a seguir o mestre e a arruinar-se com ele. Ou se vai reconhecer, de uma vez por todas, a péssima decisão que tem tomado, ao adular servil e cegamente os mestres em Washington. E, já agora, se vai conseguir chegar à conclusão de que o mundo não pode ser controlado por uma só economia e assumir finalmente o seu lugar.

À semelhança do que estão a fazer estes países, ou seja, implementar medidas que defendam os seus interesses, que reduzam os seus custos e dependências nas transacções comerciais, que promovam relações bilaterais e multilaterais justas, saberá a Europa tomar as rédeas do seu destino? Não com estes líderes-fantoches, seguramente. 

1 comentário

Comentar post