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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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O Governo trata-nos como carneirinhos

Invariavelmente sou obrigado a vir aqui, uma vez mais, criticar o Governo. O que fazer perante tanta impreparação e tanta incompetência? Calar-me? Nunca foi opção para mim.

Os Governos, através das mais diversas instituições do Estado têm perante os cidadãos aquele hábito rançoso, herdado com muito orgulho dos tempos da velha senhora, que é o de os tratar como se fossem carneirinhos. Seja nas instituições do SNS, seja nas Finanças, na Segurança Social, ou outras, a postura é sempre a mesma: “tem que ir para a fila”, “tem que tirar a senha”, “tem que preencher o impresso X”, “agora tem que juntar o anexo A”, “falta a fotocópia Y”, “assine aí em baixo na cruzinha”, “sente-se ali e aguarde”, “se ainda não foi atendido(a) é porque não chegou a sua vez”, enfim, sempre aquela postura autoritária, mas sempre descoordenada e reveladora da ausência de planeamento e, pior que tudo, completamente desprovida de sentido de serviço público. A ideia com que se fica é que o Estado Português trata os seus cidadãos e contribuintes como um fardo, um bando de chatos a quem só interessa despachar muito rapidamente.

Uma das situações mais recentes tem a ver com o processo de vacinação contra a Covid-19. Vejamos, as autoridades da saúde (que dependem do Governo) estão a convocar as pessoas para a vacinação através de mensagens escritas (SMS). Ora, parece-me extremamente desleixado abordar os cidadãos desta forma, num assunto tão importante. Até parece que o Estado está a marcar um encontro para um cafezinho com os cidadãos. E, se pensarmos que a esmagadora maioria da população que foi incluída na primeira fase da vacinação são pessoas idosas, já se está a ver que esta forma de comunicação não faz qualquer sentido. É geradora de confusões e, portanto, ineficaz.

O contacto deve ser feito por chamada telefónica (nalguns casos, presencialmente), onde quem aborda o cidadão deve estar preparado para esclarecer as dúvidas que estes possam apresentar, desde logo a começar pela vacina que lhe vai ser administrada. O SNS tem o dever de informar o cidadão de qual a vacina que está disponível para lhe ser aplicada porque, se por um lado as pessoas não podem escolher a vacina, por outro lado têm todo o direito de recusar determinada vacina.

Veja-se o que está a acontecer com a vacina da AstraZeneca, que tem levantado muitas dúvidas e que até já se encontra suspensa em muitos países. Desde o início que a própria AstraZeneca desaconselhou a aplicação da sua vacina a maiores de 65 anos, não obstante, os iluminados da DGS e Infarmed garantem que não há qualquer problema em fazê-lo. Independentemente disso, as pessoas (que não são carneirinhos) – principalmente os maiores de 65 anos – têm todo o direito de recusar que lhes seja administrada esta vacina, por exemplo. Para isso, é necessário que o SNS planeie atempada e devidamente o processo de vacinação, que informe os cidadãos de qual a vacina que lhes vai ser administrada e só depois confirmar. Senão, corre-se o risco de as pessoas só tomarem conhecimento da vacina que lhes vai ser administrada no momento exacto da sua aplicação. Continuam a poder exercer o seu direito de recusa mas, o que fazer às sobras que resultarão dessa situação, perfeitamente evitável?

Portanto, criaram uma task force só para garantir que o processo de vacinação corresse sem falhas e até já demitiram o anterior responsável da mesma, devido às sobras e administrações indevidas. Ficou lá um vice-almirante a comandar as tropas, que por acaso até já lá estava desde o início, mas a verdade é que a desordem mantém-se. As pessoas continuam a ser convocadas por SMS, pouquíssimos dias antes da data da vacinação e na qual não consta o nome da vacina que vai ser administrada.

Pior que isso, a ordem de prioridade estabelecida não está a ser respeitada. Conheço casos de pessoas (não prioritárias) que já estão a ser convocadas e vacinadas, sem que centenas de milhares de pessoas consideradas prioritárias tenham recebido a vacina.

Vejamos, mais de metade da população com mais de 80 anos ainda não foi chamada para ser vacinada, o mesmo acontece com muitos profissionais de saúde. E agora – mesmo eu não concordando com isso – consideraram que professores e pessoal não docente devem entrar na Fase 1 do Plano de Vacinação e, como se sabe, a vacinação neste grupo ainda nem sequer se iniciou.

Como é possível que pessoas listadas na Fase 2 da vacinação já estejam a ser vacinadas, quando centenas de milhares de pessoas da Fase 1 ainda estejam por vacinar?

Quando se apresentam perante as câmaras das televisões, todos emproados a dizer que o Plano de Vacinação está a decorrer muito bem, quase na perfeição, estão só a fazer o habitual: a mentir despudoradamente para salvar a renomada e aparente figura de gente que sabe o que está a fazer.

Por muito boa vontade que se tenha, não é possível confiar em gente desta estirpe.

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