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Contrário

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O meu rating à União Europeia? Abaixo de lixo

Já se anda por aí a dizer à boca cheia que Portugal poderá ser alvo de um novo resgate. Parece que o OE apresentado nas instituições europeias não é suficientemente credível (por ser de um governo de esquerda e por defender os interesses das pessoas). Então, parece que funciona assim: um governo de um Estado-membro apresenta um Orçamento na União Europeia que, por sua vez, decide torcer o nariz para que, logo de seguida, as agências de rating resolvam classificar esse Estado-membro como “lixo” e, por esta razão, o Banco Central Europeu deixe de aceitar os títulos de dívida pública portuguesa o que, consequentemente deixa os bancos portugueses sem financiamento.

 

O BCE verga-se, assim, perante aquilo que as instituições de rating decidem. Parece que são quatro as agências de rating diante das quais o BCE adora compadecer-se. Neste momento, das quatro agências “amigas” do BCE apenas uma ainda não classificou Portugal como lixo, mas também ela (a DBRS) já ameaçou que está quase, quase a atirar Portugal para o caixote do lixo. Portanto, é assim que funciona: uma bola de neve; se os governos dos Estados-membro da União Europeia se vergarem àquilo que os “donos” da Europa quiserem, tudo bem. Caso contrário, os “donos” torcem o nariz e fazem-no em voz muito alta, para que a notícia chegue depressa às amigas agências de rating, para que estas atirem os governos desses países para o lixo e, de seguida, o BCE se recuse a financiar o(s) país(es) em questão.

 

Mas que absurdo é este? Se há regras dentro da UE a cumprir, por que razão ficam os Estados-membro dependentes daquilo que dizem as agências de rating? Por que não é a própria UE, nomeadamente o BCE a tomar essas decisões, independentemente daquilo que as referidas agências ditem? Agências de rating que nem sequer são europeias… Que raio de União Económica e Monetária é esta? Não me venham com conversas de economistas da treta, dizendo que é assim que funcionam os mercados, porque os mercados que eu conheci e estudei nas minhas aulas de Economia não sofriam desta contaminação.

 

A verdade é uma só: o sonho europeu está corrompido pelas viciadas leis dos “tais” mercados capitalistas. E isso só acontece porque a Europa está despojada de verdadeiros líderes, de verdadeiros europeus. Temos um conjunto de instituições fictícias, lideradas por gente vendida que brinca com a vida de milhões de europeus ao sabor daquilo que algumas mocinhas “iluminadas” do MIT decidem.

 

E se repararem, só os governos de esquerda são perseguidos pelos mercados capitalistas. Os governos de direita, que governam para o capital e não para as pessoas, que destroem o que é público em benefício de alguns privados, que embarcam nas teorias sórdidas dos actuais mercados de capitais, puramente especulativos, esses não são perseguidos, são apenas subjugados.

 

Estou farto desta Europa, ou melhor, estou farto destas pessoas que têm liderado as instituições europeias nas últimas décadas. Mas estou ainda mais farto dos partidos da direita portuguesa (PSD e CDS) que, juntamente com alguma comunicação social estão a instigar o medo nos portugueses, ao invés de os unir em torno daquilo que deve ser o verdadeiro "interesse nacional", com que a direita costuma encher tanto a boca. 

 

A direita (PSD/CDS) parece que não ficou satisfeita com o mal que fez nos últimos quatro anos e deseja perpetuar as malfeitorias. A verdade é que parte do mal pode ser revertido, e é isso que este governo está a tentar fazer.

 

Aparecer agora, no momento em que Portugal negoceia a aprovação do OE e melhores condições de vida para os portugueses, com discursos alarmistas sobre aquilo que as agências de rating podem ou não dizer de Portugal revela uma tremenda falta de carácter, mas principalmente, total falta de patriotismo e amor-próprio.

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