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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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O Presidente da percepção e da imagem

Marcelo Rebelo de Sousa disse não ter uma "percepção tão optimista quanto o PCP e a DGS sobre a Festa do Avante".

Marcelo disse também que não “se trata de uma questão de legitimidade democrática”, nem tão pouco de falta de legitimidade quanto às regras sanitárias definidas pela DGS. Marcelo entende que se trata de uma questão de “avaliação política”. Ora, se não está em causa a legitimidade democrática, nem mesmo a segurança sanitária, por que razão Marcelo Rebelo de Sousa crê que o PCP deveria ter outro entendimento político face à realização do evento?

Muita gente tem, só agora, depois de terem esgotado todas as mentiras sobre pretensas condições de excepcionalidade do evento (que só tiveram aderência em mentes manhosas), alegado que a questão coloca-se no plano político e que, sob esse ponto de vista, o PCP deveria ter optado pelo cancelamento do evento.

A sério que pensam assim? Faz algum sentido dizer-se que o evento deveria ter sido cancelado por razões de natureza política Sr. Presidente? Pois se há razões pelas quais um “evento de natureza política” jamais deve ser cancelado são precisamente as razões de ordem política.

As únicas razões que, no contexto actual, serviriam para levar ao cancelamento do evento seriam mesmo as de ordem sanitária, aquelas que Marcelo entende que estão a ser cumpridas. Então, por que razão o Sr. Presidente está contra a realização do evento? Por que razão Marcelo não vai à Quinta da Atalaia, tal como foi ao Campo Pequeno (recinto fechado), à Feira do Livro e às muitas praias (mesmo antes de abrir a época balnear), onde até partilhou alimentos com crianças e sem qualquer protecção ou distanciamento?

Marcelo foi a todos esses sítios porque estava convicto de que a percepção da maioria dos portugueses era a de que tínhamos que desconfinar, de encher as praias, esplanadas e restaurantes, porque já estávamos todos fartinhos de estar em casa e o solinho estava mesmo a puxar. Marcelo foi a todos esses sítios porque teve a percepção de que isso seria bom para a sua imagem. Agora, tendo a percepção de que muitos portugueses não veriam com bons olhos a sua presença na Festa do Avante, prefere posicionar-se “no outro lado”, não vá o diabo tecê-las, logo agora, a menos de seis meses das eleições presidenciais.

É o Marcelo de sempre, sempre à cata dos melhores ventos.