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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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O que não se diz da Maria Luís

Muito se tem dito sobre a contratação de Maria Luís Albuquerque por parte da empresa Arrow Global, mas muito poucos ou ninguém é capaz de dizer aquilo que deve ser dito.

 

Manuela Ferreira Leite classificou o caso como “ausência total de bom senso” por parte de Maria Luís Albuquerque.

 

José Gomes Ferreira, sempre muito visceral neste tipo de situações, limitou-se a dizer que “há incompatibilidade de funções”, mas logo se apressou a acrescentar que não está em causa o carácter da pessoa.

 

Passos Coelho disse… quer dizer… primeiro não disse nada, necessitou de dormir umas horas sobre o assunto para depois actuar como sempre, de forma insolente e desavergonhada, tal como fez em Setembro quando o país ficou a saber que Maria Luís Albuquerque (ex-ministra das finanças) havia dado ordens para que se ocultasse os prejuízos no BPN. Passos Coelho, que aprendeu nos livros desta senhora e que também padece da ausência de vertebras, disse que Maria Luís está de parabéns pela brilhante contratação. Disse ainda as habituais coisas de pacóvio deslumbrado, tais como, “isto não é para qualquer pessoa”, que "a Arrow é uma empresa de grande prestígio em Londres”, “que ela (Maria Luís) se pode sentir orgulhosa por ver o seu valor reconhecido por uma empresa importante”.

 

Passos Coelho disse também que “não há nenhum impedimento legal”. Pois não. Não há porque PSD e CDS chumbaram a proposta de lei que visava impedir estas situações.

 

Mas o que mais me espanta é aquilo que não se diz sobre Maria Luís Albuquerque. Da parte dos partidos de Esquerda, nomeadamente do Bloco e do Partido Comunista chovem críticas mas, a meu ver, contidas de mais. Já da parte do Partido Socialista pouco se ouve. António Costa remete para a subcomissão de ética do Parlamento que vai “discutir” o assunto, aliás, a pedido da própria Maria Luís Albuquerque. E “discutir” é a palavra certa, já que desta subcomissão não vai sair nada. Absolutamente nada de substancial. Apenas o veredicto de que a ex-ministra não está a agir à margem da lei, por essa razão é que ela própria se apressou a pedir a esta subcomissão que se pronunciasse.

 

Eu não quero saber se é ilegal ou não, muito menos se o Parlamento vai considerar como ético ou não. O que eu sei é que uma pessoa que há poucos meses era Ministra das Finanças, a principal responsável pela gestão da dívida portuguesa, vai agora encabeçar a administração de uma empresa que lucrou e continua a lucrar com a especulação dessa dívida. A agravar tudo isto acresce o facto da ex-ministra ser deputada em exercício de funções. Como pode a mesma pessoa estar ao serviço do Estado Português na Assembleia da República, onde em princípio está a defender o “interesse nacional” e estar também ao serviço de uma empresa privada que obtém lucros com a desgraça das contas do país?

 

Por que razão Maria Luís Albuquerque atrasou a resolução do caso Banif (enquanto ministra das finanças), fazendo com que a empresa na qual vai agora servir-se encaixasse milhões de euros?

 

O que é preciso dizer bem alto é que, para além da falta de ética, moral, bom senso e da incompatibilidade de funções, Maria Luís Albuquerque não passa de um pau-mandado ao serviço de grupos privados que sugam os Estados por via dos mercados de capitais altamente especulativos e, acima de tudo, gravemente viciados como se pode ver. Estas empresas colocam os seus paus-mandados nos governos, para tomarem decisões a seu favor e em troca disso prometem-lhe uns cargos não executivos, onde os invertebrados serão muito bem recompensados pelo proveitoso servilismo evidenciado.

 

Isto não é apenas falta de carácter e bom senso é, acima de tudo, uma tremenda filha da putice que alguém está a fazer ao seu país, estando o povo a pagar pelos brilhantes serviços prestados aos especuladores financeiros. A referida senhora vai agora servir de forma oficial aqueles que tem vindo a servir por obséquio e, ainda assim, pretende e, ao que tudo indica vai mesmo continuar a sugar o Estado Português, quer por via endógena quer a partir do exterior.

 

Trata-se de uma pessoa rasteira, sacana, canalha e desleal.

 

Gentalha deste calibre não deveria sequer ser digna de ocupar uma cela numa qualquer cadeia portuguesa, deveria sim ser deportada para o Brasil, numa barcaça de papelão.