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O sanico (pouco frugal) da Sanna e a insanidade social

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O sanico de Sanna Marin foi um dos temas da semana. O vídeo que mostra a Primeira-ministra finlandesa a “festejar” efusivamente num evento privado e, segundo consta, entre amigos tornou-se viral e correu o mundo. O estado eufórico de Sanna é de tal forma genuíno, que deixa qualquer um a pensar qual será o motivo que deixa a Primeira-ministra de um país que sente a sua existência ameaçada pelo vizinho de leste em tamanha boa disposição.

Talvez ela tenha recebido uma chamada da Kamala Harris que, entre um pifo e outro pifo, lhe terá prometido um qualquer futuro cargo internacional ou quiçá um papel em Hollywood, provavelmente a contracenar com o Zelensky.

Mas vamos ao que realmente interessa. Aquilo que verdadeiramente ganha importância neste caso é a reacção das pessoas perante aquelas imagens. A maioria das pessoas – os arrebanhados – apressam-se logo a dizer coisas do tipo: “a Sanna Marin também é um ser humano”, aliás, a própria Sanna usou esse argumento para se defender. Outros dizem que “ela ainda é jovem e tem o direito a divertir-se”, como se a diversão fosse um exclusivo de quem é jovem. Enfim, as insanidades do costume.

Realmente, só mesmo nas redes sociais é que se pode aprender que as pessoas famosas e com poder também são seres humanos. Como não uso redes sociais pensava que essas pessoas eram extraterrestres. E até há quem diga que a Sanna é uma mulher do outro mundo, por isso eu tinha todas as razões para achar que ela não era um comum mortal.

Vejamos, a Sanna tem o direito de apanhar uma tosga, snifar determinados tipos de poeiras (desde que legais) e de sacudir a sarda como bem entender? Claro que sim. Tem todo o direito a fazê-lo, desde que tenha a certeza que isso não se vai tornar público e circular por todo o mundo. Ser Primeira(o)-ministra(o) de um país não é uma profissão. Não se trata de uma função com um horário das 9h às 17h. Ser-se Primeira(o)-ministra(o) é um dos mais altos cargos do Estado, cujas funções não se interrompem desde a tomada de posse até ao final do mandato. Um(a) Primeiro(a)-ministro(a) tem o dever de recato e sobriedade, porque esse cargo - que é assumido de livre vontade – assim o exige. E logo os finlandeses que se consideram os “frugais” da Europa. Lá se vai a frugalidade. Quem não quiser estar sujeito a esses requisitos tem bom remédio. E quem não percebe o alcance das obrigações de um cargo desta natureza, ainda não percebeu nada de nada.

Uns poderão dizer que não foi ela que publicou o vídeo. Completamente irrelevante. Isso só demonstra que ela não tem o discernimento necessário para avaliar quais são as pessoas que são merecedoras da sua confiança. Ela tem a obrigação de antecipar e evitar este tipo de imbróglios. A não ser que os telemóveis daquelas pessoas tenham sido “hackeados” por Putin. Até nem sei como é que ainda ninguém se lembrou dessa. Se não consegue garantir que imagens desta natureza se vão tornar públicas, então tem o dever – enquanto Primeira-ministra - de não se embrenhar neste tipo de saraus.

Há algum tempo, situação com contornos semelhantes se passou com o eurodeputado Paulo Rangel, que também foi amplamente defendido pela mesma maralha, quando toda a gente viu as cenas ridículas que andou a fazer nas ruas de Bruxelas. Também nesse caso pouco importaria as vergonhas que Paulo Rangel andava a passar nas ruas de Bruxelas, não fosse ele um alto representante do Estado Português.

Mas a carneirada é assim. Está sempre pronta a defender as atitudes dessa ínfima quantidade de pessoas que detém o poder, “porque eles também são humanos”. Já em relação aos seus semelhantes (mais semelhantes) são os primeiros a apontar-lhes o dedo, por tudo e qualquer coisa. Veja-se por exemplo a atitude que muitas pessoas tiveram e ainda têm para com quem optou por não se vacinar contra a Covid-19 ou, mais recentemente, em relação a todos quantos decidiram continuar a usar a máscara. E, note-se, num caso ou noutro, nenhuma das situações interfere minimamente com a vida próximo. Aliás, no caso do uso da máscara, quem o faz está a proteger a si e aos outros. É um acto previdencial e até de respeito pelo próximo. E mesmo assim, a maralha que considera que a dona Sanna – que ocupa um alto cargo público - é um ser humano que tem o direito a divertir-se, é a mesma (na sua maioria) que se apressa a atirar pedras ao cidadão comum que usa uma simples máscara em locais onde não é obrigatório.

É a insanidade que grassa e que por vezes até tem graça. 

 

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