Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

O sindicato dos patrões

Estão em curso as negociações para os aumentos salariais na Autoeuropa, para os anos de 2018 e 2019. A Comissão de Trabalhadores pede um aumento de 6,5%, ao passo que a administração da empresa contrapõe com um aumento de 3% para este ano e 2% em 2019.

 

Convém lembrar que, apesar da importância que tem na produtividade do país, a Autoeuropa é uma empresa privada e, ao que parece, bem organizada, quer do lado da administração quer do lado dos trabalhadores. Daquilo que é público pode-se depreender que as bases para a negociação estão em cima da mesa e que há total interesse de ambas as partes em chegar a um acordo. Como é natural e mais do que expectável, tratando-se de aumentos salariais, a Comissão de Trabalhadores tenta puxar para cima, sendo que a administração tenta travar os aumentos. Portanto, nada de novo. Certamente que conseguirão chegar a um acordo, como tem sido habitual.

 

Muito curiosa é a postura da UGT nestas negociações. A UGT diz ter avançado com uma proposta, mas que não se sabe muito bem em que consiste. A própria administração da Autoeuropa reconheceu que não tem, ainda, nenhum pedido de reunião feito por essa central sindical. E, no entanto, Carlos Silva (líder da UGT) afirma que há “agitadores profissionais “ na Autoeuropa, numa clara alusão à central sindical rival – CGTP. Curioso também o facto de, simultaneamente, aparecer um ex-ministro de Cavaco Silva a tecer ferozes críticas à actuação da CGTP e ao Partido Comunista, acusando-os de querer fechar a fábrica.

 

Qualquer pessoa ligeiramente desconfiada diria que Carlos Silva e Silva Peneda (o ex-ministro de Cavaco) estão do mesmo lado da barricada – o lado dos patrões. Bem, em relação a Silva Peneda – esse grande baluarte da solidariedade social – já toda a gente sabia, agora quanto ao pretenso defensor dos direitos dos trabalhadores, Carlos Silva, ainda há quem tenha dúvidas, pelo que é muito importante salientar o verdadeiro papel que a central sindical UGT tem no nosso país. Tal como aconteceu na Concertação Social e, especialmente, aquando da discussão do salário mínimo, a UGT do senhor Carlos Silva assume sempre uma posição bastante mais condizente com a posição das Confederações Patronais, do que a defesa dos interesses dos trabalhadores.

 

A mim, não se me oferece qualquer dúvida de que o título de “agitadores profissionais” assenta bem melhor a Silva Peneda e Carlos Silva, que mais parecem estar interessados em eliminar a influência da CGTP na Autoeuropa e, assim, abrir caminho para a sempre subserviente UGT na Comissão de Trabalhadores.

 

O senhor Carlos Silva e restantes camaradas são livres de ter a opinião que bem entenderem, sobre os mais diversos assuntos, mas já vai sendo tempo de darem o salto para a CIP, a CAP, a CCP ou a CTP, porque na UGT seria suposto defenderem os trabalhadores com unhas e dentes. Esta UGT mais parece um sindicato dos patrões.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.