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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Obras do "divino" Espírito Santo

Ele há coincidências dos diabos! De facto, há coisas que nunca mudam neste "paísinho" encurralado e sequestrado por políticos e empresários meia-tijela.

 

A Herdade da Comporta é uma das negociatas que a familía Espírito Santo tinha em carteira, mas que agora vive momentos de tremenda incerteza, já que se trata de um negócio que foi parar ao BES Mau. Este empreendimento nunca se mostrou de interesse relevante para o país, ao contrário do que quis fazer crer Paulo Portas, quando patrocinou o contrato de investimento entre a AICEP e a empresa RioForte. Esse contrato foi assinado em Abril de 2013, era Paulo Portas ministro dos negócios estrangeiros. Não foi assim há tanto tempo, estávamos em pleno período de intervenção troikiano, onde um governo competentíssimo se gabava de ter posto termo ao período de impunidade e aos negócios ruinosos do Estado.

 

Muito bem, nessa altura, foi anunciado um investimento de mais de 90 milhões de euros, sendo que muitos desses milhões vieram dos fundos europeus, portanto, do bolso dos contribuintes. Mais uma negociata patrocinada pelos políticos do costume, com o dinheiro dos contribuintes, em favorecimento de grandes grupos económicos privados. 12.500 hectares de propriedade (que muitos garantem que foi usurpada na década de 50... não me admirava nada...) com cerca de 12km de praias, destinados a um investimento de luxo (ao qual Paulo Portas não quis ficar de fora) cujo proveito de utilização só estaria ao alcance de alguns privilegiados. O próprio Ricardo Salgado tratou logo de construir uma enorme moradia em plenas dunas, mas com uma maravilhosa vista para o mar.

 

A destruição das dunas e os demais atentados ambientais nem sequer foram considerados por Paulo Portas, que garantiu que este investimento turístico iria perdurar no tempo e que defendia a costa alentejana. Disse também que era o maior investimento turístico da última década em Portugal. Pois bem, aquele que, para Paulo Portas era o maior investimento turístico da década em Portugal, agora é considerado pelos próprios detentores da propriedade como um negócio tóxico, um mau investimento e que, por essa razão, foi parar ao Banco Mau.

 

Paulo Portas afirmou nos últimos dias que a solução "Novo Banco" e "Banco Mau" para o BES foi a melhor solução encontrada, dando o seu total aval. Portanto, Portas considera que o maior investimento turístico da década, que ele apadrinhou e enviou dinheiros públicos, é também um investimento tóxico. É aquela dualidade irrevogável de Paulo Portas...

 

Seria interessante saber o que diz agora Paulo Portas sobre este investimento? Agora que as obras na Herdade da Comporta estagnaram. Serão estas as chamadas obras do "divino" Espírito Santo?

 

Estará Paulo Portas interessado em, pelo menos, garantir que os milhões provenientes de fundos públicos sejam devolvidos ao Estado, caso a obra não seja concluída? Ou será que já foram enterrados juntamente com os alicerces da luxuosa mansão de Ricardo Salgado?

 

E, porque será que tudo o que mete Paulo Portas e BES cheira sempre a esturro? Será que já se esqueceram do caso Portucale? Depois do abate de milhares de sobreiros, das várias assinaturas ministeriais de ex-ministros do CDS-PP e, sobretudo, dos vários depósitos bancários em contas do CDS-PP sediadas no BES, foi o próprio banco que acabou por denunciar a situação. Ele há coisas dos diabos!