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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Onde pára a solidariedade (e moralidade)?

Tenho ouvido e lido muita gente a dizer que esta pandemia tem servido para trazer o melhor das pessoas e instituições ao de cima, que a crise que atravessamos nos vai deixar mais unidos que nunca, mais solidários, mais iguais.

Será mesmo verdade? Eu estou disposto a ser convencido mas, em plena pandemia, já se percebeu que aqueles que mais precisam de alterar comportamentos, aqueles que deveriam sentir maior apelo à mudança e ao espírito solidário são os que, regra geral, estão pouco interessados nisso.

Começando pela União Europeia, que nunca deu grandes demonstrações de unidade, assim que foi posta à prova a solidariedade entre Estados-Membros, no decorrer desta pandemia, o que foi que assistimos? Um passar de culpas e insinuações rasteiras sobre a tragédia humanitária que assola alguns países comunitários. Qual será o significado de comunidade para essa gente?

Já por cá, o que têm feito os grandes grupos empresariais e instituições bancárias que nos faça acreditar que, de facto, estamos mais unidos e solidários?

A banca, apesar de todos os apelos (inclusivamente do Presidente da República), ainda não abriu o bico para apresentar medidas concretas de apoio às famílias e tecido empresarial, nomeadamente às pequenas e médias empresas.

E os principais operadores da área energética? O que estarão dispostos a fazer pelas famílias e empresas? São anos e anos consecutivos com lucros astronómicos, será que agora vão prescindir de algum lucro em favor de quem mais precisa?

E as operadoras de telecomunicações, que à semelhança das anteriores também apresentam pomposos lucros, estarão disponíveis para aliviar a factura das famílias e empresas, neste período?

Mais grave ainda são os muitos casos de despedimento que se tem verificado em inúmeras empresas, que não só despedem como em simultâneo estendem a mão para o Estado.

E a lista poderia continuar. Só a título de exemplo, nos últimos dias vi o administrador de uma grande empresa portuguesa a dar uma entrevista a um canal de televisão, onde choramingava pelo apoio do Estado, apenas 3 semanas após a diminuição drástica da produção da sua unidade fabril, alegando que quase já não tinha dinheiro para pagar salários. Portanto, esse senhor, que se fartou de ser elogiado pelas suas capacidades de gestão, que apareceu inúmeras vezes em capas de revistas e jornais de negócios como sendo um empreendedor e CEO notável (uma espécie de Zeinal Bava) e que, segundo consta nos Relatórios e Contas, conseguiu que a sua empresa apresentasse muitos milhões de lucro ao longo de vários anos, ao fim de 3 semanas de paragem no ciclo produtivo já está a berrar que não pode pagar salários. 

Resumindo, não vejo grandes sinais de mudança. As melhores atitudes (felizmente também são muitas) vêm daqueles que habitualmente já dão o melhor de si e que fazem o que podem em favor do bem-estar colectivo. Os outros, acima enunciados, ainda não deram grandes demonstrações de transformação comportamental, algo que faça jus à responsabilidade social das empresas e que nos faça acreditar que, afinal, elas não se preocupam apenas com a maximização dos lucros assente na depauperação dos trabalhadores e, claro está, agora ainda mais evidente, na sugação do Estado.

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