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Os Passos Perdidos de Passos

Passos Coelho, líder(?) do PPD/PSD anda por aí a pregar a desgraça, a sua visão do apocalipse, numa tentativa quase desesperada de se fazer ouvir e notar. Coloquei a interrogação porque, na verdade, Passos Coelho parece tudo menos um líder. Há muito que perdeu o estatuto de líder da oposição para, imagine-se, Assunção Cristas, que sendo apenas uma súbdita de Paulo Portas, envergonha e diminui a importância do PSD na cena política nacional.

 

Há que reconhecer que Passos Coelho até se esforça, mas como é hábito seu, faz tudo errado. Não obstante, tiro o meu chapéu pelo facto de ser (talvez) a única pessoa neste país que consegue exercer a sua profissão de sonho num contexto profissional diferente. Passos queria ser actor, mas como o Ângelo Correia não tinha forma de lhe conferir currículo nessa área, enveredou rapidamente pela política e até com bastante sucesso pessoal, muito mais do que ele próprio alguma vez terá imaginado.

 

Mas agora, Passos anda perdido. Ora defende acerrimamente os contratos de associação com escolas e colégios privados, ora é a favor das barrigas de aluguer e da procriação medicamente assistida. Mete as mãos, os pés e o que for preciso no fogo, só para defender a sua querida professora Maria Luís. Passos acusa o PS de estar a encostar-se ao BE e ao PCP, mas não se apercebe que, por um lado, quer distinguir-se das políticas de esquerda, por outro lado, parece andar a reboque do CDS no papel de opositor ao governo, sendo que algumas vezes até se encosta ao PS. Passos diz que nunca inaugurou nada enquanto Primeiro-ministro e, já depois de deixar de o ser, continuou a inaugurar. Contudo, o túnel do Marão sempre lhe fez muita comichão, pelo que decidiu não comparecer na inauguração. Logo ele que até viveu parte da sua vida naquela região. Enfim, que grande barafunda que vai naquela cabeça.

 

Passos Coelho também insiste em tratar o Presidente da República por “Dr. Rebelo de Sousa”, aquele velho tique fascista que João Jardim muitas vezes usou para se referir a Cavaco Silva, chamando-o de “Sr. Silva”. Não é que eu nutra especial afecto por qualquer um dos visados, mas na posição que ocupa e ainda por cima pertencendo à “família laranja”, Passos deveria pronunciar-se noutros termos.

 

Mediocridade. Mediocridade. Mediocridade.

 

Resta-me o meu habitual considerando à comunicação social, que ainda tenta puxar por ele, tal como fez enquanto foi Primeiro-ministro, mas agora essa tarefa é bastante mais espinhosa. Neste momento, tentar puxar Passos Coelho para a ribalta é como querer desencalhar um bacalhoeiro com fio de pesca. As últimas aparições públicas de Passos Coelho são um exemplo disso mesmo. Mostram um líder isolado, a falar para meia-dúzia de interessados com cara de quem comeu sobremesa estragada. Passos anda desencontrado. São os Passos Perdidos de Passos.

 

 

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