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Contrário

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País pequeno, decisões míopes

A terceira fase do desconfinamento avança na próxima segunda-feira, mas não de maneira igual para todos. Há quatro concelhos que recuam até às condições da primeira fase, seis permanecem com as condições da segunda fase e 13 ficam sob vigilância, até nova avaliação da situação pandémica.

Mas será que faz sentido desconfinar a diferentes velocidades num país tão pequeno como Portugal? Vejamos, as restrições que os concelhos com maior incidência enfrentam são: o fecho das esplanadas, restaurantes e lojas com vendas apenas ao postigo e fecho dos ginásios e museus, etc. Estas restrições, por si só, de pouco ou nada valeriam, já que as pessoas poderiam sempre deslocar-se para este tipo de locais nos concelhos vizinhos. Contudo, entrará também em vigor a proibição de circulação entre concelhos, que restringe a circulação de pessoas que habitam nos concelhos de maior incidência. Ainda assim, será que isso valerá de muito?

As pessoas não estarão proibidas de ir para as escolas nem para os seus empregos, quer seja dentro ou fora dos concelhos com maior incidência.

Sinceramente não me parece que estas medidas sejam as mais eficazes na contenção dos contágios, especialmente quando os concelhos visados nem sequer são os de maior densidade populacional. É muito fácil de antever que a terceira fase do desconfinamento – aquela que vai avançar já na segunda-feira – vai acarretar uma muito maior propagação dos contágios do que aquela que poderia acontecer nos concelhos agora “castigados”, caso não recuassem no desconfinamento.

Aquilo que quero dizer é que as medidas de contenção da pandemia têm que ser avaliadas numa perspectiva global. Pensar que medidas avulsas – sobretudo quando incidem apenas em concelhos de baixa densidade populacional – vão trazer algum benefício é pura miopia.

Seria muito mais eficaz não avançar, para já e em todo o território nacional, com a abertura dos restaurantes, com a permissão da realização de casamentos e baptizados e, principalmente, com a retoma do ensino presencial para os alunos do ensino secundário e ensino superior. Os alunos do ensino secundário e do ensino superior poderiam perfeitamente manter o ensino à distância ou, pelo menos, a esmagadora maioria deles poderia continuar numa espécie de ensino misto, evitando ao máximo as deslocações para os estabelecimentos de ensino, os períodos de refeições e outras aglomerações.

Isto é o mesmo que estar a enviar os autotanques e os Canadair para sítios onde existem pequenas fogueiras, ao mesmo tempo que se libertam os pirómanos na floresta densa e seca.

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