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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Para que serve o Infarmed?

O Infarmed não serve para nada. Pode parecer que sim, mas na realidade não. Aliás, a polémica sobre a ida do Infarmed para a cidade do Porto serviu, apenas, para beneficiar o estatuto da própria instituição e dos profissionais que nela trabalham. O que se ouviu na altura da polémica, lembram-se? “Ah… o Infarmed é um instituto demasiado importante para ser transferido”. Ah… os profissionais do Infarmed são altamente qualificados e experientes e não estão disponíveis para se deslocalizar e, consequentemente, não será fácil conseguir quem os substitua”. “Ah… a saúde em Portugal corre sérios riscos se o Infarmed se deslocalizar…”.

 

Foi mais ou menos isto que se ouviu na altura. Mas a verdade é que nada do que foi dito corresponde à realidade, ou seja, o Infarmed poderia ser deslocalizado para a cidade do Porto e a saúde dos portugueses nada sofreria com isso. Eu atrevo-me mesmo a dizer que se o Infarmed deixasse de existir nada de concreto mudaria na vida dos portugueses.

 

O Infarmed é um instituto público, com um regime muito especial e que alimenta muita gente, contudo, não serve para mais nada, ou para quase nada. Como se pode depreender pela última “grande” intervenção do Infarmed, que alertou para o risco de agranulocitose decorrente da utilização de medicamentos contendo metamizol. É para isto que serve o Infarmed, para “alertar os alertas” dados pela Agência Europeia do Medicamento e dos restantes parceiros dos outros países. Neste caso concreto, o do metamizol, se o parceiro espanhol não tivesse alertado para os casos muito graves que estão a acontecer devido ao uso deste medicamento, o Infarmed continuaria “caladinho”, a permitir a comercialização do mesmo e a não fazer qualquer tipo de alerta.

 

Portanto, o Infarmed mais não faz do que alertar para aquilo de que é alertado, ou para fazer eco daquilo que outras agências já alertaram. Muito pouco para quem diz que faz tanto e com muito valor.

 

P.S. Há mais de um ano apresentei uma queixa no Infarmed alertando para os perigos mais do que evidentes, na comercialização de um produto farmacêutico. Informaram-me, na altura, que abriram um processo de averiguação. Até hoje ainda não obtive qualquer resposta e o produto continua em comercialização.