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Parece que a “Champions” vai salvar o país

“Uma magnífica notícia para Portugal”, foi assim que Marcelo Rebelo de Sousa reagiu à decisão da UEFA em realizar os quartos-de-final, as meias-finais e a final da Liga dos Campeões em Lisboa.

Marcelo acrescentou que “a marca Portugal vai afirmar-se durante mais de oito dias e isso não tem preço”. Marcelo e o seu incontornável (i)mediatismo. Em primeiro lugar, gostaria que o Presidente da República explicasse o que entende por “marca Portugal”. Quererá ele referir-se à capacidade que Portugal tem em organizar eventos desta natureza? Se é isso, é curto. Portugal já organizou eventos de maior dimensão e o que é que isso trouxe de verdadeiramente extraordinário ao país? Algum dinheiro para os bolsos de uns poucos e dinheiro sugado aos bolsos dos demais.

Quererá Marcelo dizer que, a partir de Agosto, os grandes investidores internacionais vão passar a interessar-se mais por Portugal, só porque a UEFA escolheu o nosso país para acolher as fases finais da Liga dos Campeões? Também não deve ser por aí que a coisa lá vai.

Estará Marcelo a referir-se à imagem turística de Portugal? Já lá vamos.

Houve quem dissesse (Marcelo incluído) que este evento será a melhor e mais barata campanha publicitária que o país poderia ter, turisticamente falando. Mas… será que Portugal está assim tão necessitado de promoção turística? Então, Portugal não tem sido distinguido como o melhor destino turístico do mundo?

O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, também não quis ficar de fora desta onda entusiástica e não perdeu tempo em alinhar na postura de Marcelo, tendo afirmado que “a realização da final da ‘Champions’ em Lisboa tem uma importância verdadeiramente estratégica para a economia da cidade e do país”. Sim, sim, todos nos recordamos bem como a economia lisboeta (e do país) mudou da água para o vinho em 2014, aquando da final da Liga dos Campeões que se realizou no Estádio da Luz. Acho que ainda se lembram, afinal, não foi assim há tanto tempo.

Medina disse ainda que “centenas de milhões de telespectadores vão ouvir o nome de Lisboa e de Portugal durante mais de uma semana” e que isso tem uma “importância sem limites”. Ah sim? E depois? Vão contribuir com 10 euros cada um para a economia lisboeta e do país?

É tão deplorável assistir a esta postura simplória por parte dos políticos portugueses. Sempre inebriados com tudo o que tem a ver com bola. E é também por essa razão que a política em Portugal é vivida como se de um jogo de futebol se tratasse. Não admira.

Meus caros senhores, Portugal não tem nenhum problema de imagem turística, muito pelo contrário. Portugal está muitíssimo bem cotado no mercado turístico internacional e se há coisa que nunca faltou em Portugal nos últimos anos foram turistas, principalmente em Lisboa. A actual conjuntura de pandemia é isso mesmo – conjuntura – ou seja, circunstancial. Assim que termine, tudo voltará ao que era. Mas como isso pode demorar meses, ou até mais de um ano, não vão ser estes oito dias de (i)mediatismo que vão fazer qualquer diferença na imagem de Portugal no exterior.

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