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Passos Coelho e a "social-democracia"

Passos Coelho vai apresentar a sua recandidatura à liderança do PSD, durante a próxima semana. Antes que seja tarde, antes que apareça um peixe maior, Passos Coelho quer desde já apresentar-se como o principal candidato à liderança do seu partido, se é que vai aparecer mais algum... Já sabemos que os partidos da direita apresentam esta peculiaridade de se unir em torno de um só candidato. É a democracia que tanto presam.

 

Entretanto já se sabe qual o mote da nova campanha de Passos Coelho, nada mais nada menos que um efusivo "Social Democracia Sempre!". Ora bem, o partido que Passos lidera chama-se PSD (Partido Social Democrata) que, já por aqui referi, não entendo o porquê de classificar um partido desta natureza, um partido de direita, como "Social-Democrata". É bem certo que, por vezes, os lobos têm de vestir a pele do cordeiro para poder imiscuir-se entre eles e apanha-los desprevenidos, mas há limite para tudo.

 

Em política, a estratégia do engodo resulta quase sempre. A última a que pudemos assistir foi a de Marcelo Rebelo de Sousa (outro "social-democrata"), que quase me fazia acreditar que tem uma tatuagem do Che Guevara no seu braço esquerdo. Passos Coelho não aprecia o estilo de Marcelo mas, perante tais evidências, já tratou de lhe seguir as pisadas. 

 

O PSD é tudo menos um partido "social-democrata" e Passos Coelho, bem como a maioria dos seus comparsas (ou deverei chamar "camaradas"?) são tudo menos defensores da social-democracia. Toda a gente deveria saber que a social-democracia é uma ideologia política de esquerda e que o seu grande inspirador foi Karl Marx, esse "demónio" que assombra os "direitolas" até aos dias de hoje. Escusam de vir com as teorias de uma ou mais interpretações de social-democracia, isso é pura manipulação de conceitos.

 

O PSD de Passos Coelho defende uma "Social Democracia Sempre!". Qualquer dia, substituem a seta que simboliza o partido pelas farfalhudas barbas de Karl Marx, querem ver?!

 

Resumindo, a estratégia de Passos será a mesma de Marcelo que, na verdade, foi sempre a estratégia do PSD, ou seja, confundir as pessoas sendo uma coisa mas parecendo outra, desde logo, a começar pela alteração que produziram no nome do seu partido. Por agora, a receita parece garantir bons resultados, e a receita é "ser-se de direita, falar como se fosse de esquerda e, assim, garantir o centro".

 

Aliás, a técnica do disfarce acompanha os partidos de direita da política portuguesa desde a sua génese. Logo, mas mesmo logo após o 25 de Abril, muitos se apressaram a tentar parecer o contrário daquilo que tinham sido até então: fascistas. Trataram logo de criar partidos autodenominados como democratas, mais tarde, passaram a defender acerrimamente a social-democracia e, quiçá um dia destes, se apresentem como os grandes defensores do socialismo, nem que para isso tenham que passar pelo estágio de comunismo. Que notável metamorfose a destes marmanjos! Só não consigo compreender como são tantos os que continuam a embarcar.