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Contrário

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Passos Coelho e o Salário Mínimo Nacional

Passos Coelho disse que “o aumento do salário mínimo deve estar relacionado com a evolução da produtividade”. Disse ainda que era esta a posição do seu partido quando estava no governo e, portanto, é a mesma agora que está na oposição. Disse ainda que “se a actualização do salário mínimo não reflectir o aumento da produtividade, as empresas perdem competitividade e acabam por gerar menos rendimento e menos emprego do que aquele que gerariam se fossem mais competitivas…”.

 

Toda a gente sabe qual é (e sempre foi) a posição da Direita em relação ao salário mínimo nacional (SMN). Os neoliberais nunca foram, sequer, a favor da existência do salário mínimo quanto mais aumentá-lo (ainda que o tenham feito esporadicamente, sabe Deus com que intenção). Para os neoliberais, o salário mínimo deveria ser aquele que o patrão está disposto a pagar.

 

Vejamos. Passos diz que o aumento do SMN deve estar relacionado com a evolução da produtividade. Trocando isto por miúdos, o que ele quer dizer é que só se deve aumentar o SMN se quem o recebe passar a “produzir mais”. Como se o problema da falta de produtividade se devesse ao baixo desempenho dos trabalhadores. Neste tipo de raciocínio salta logo à vista que, para Passos e sua Direita, as empresas só não produzem mais e não são mais competitivas devido à baixa produtividade da classe trabalhadora. E o que nos apresentam como solução? Não aumentar o SMN. Os neoliberais, que sempre se regeram pela escola neoclássica e pela aversão à intervenção do Estado na economia, nunca admitiram que a falta de produtividade se possa dever a outros factores, tais como, a incompetência dos gestores, a concorrência cada vez mais global, problemas estruturais da economia, a insuficiência de políticas de protecção dos trabalhadores, etc.

 

Não. Para eles a culpa é dos trabalhadores, principalmente daqueles que menos ganham, pelo que consideram aumentar o seu salário, apenas e só, se estes aumentarem a produtividade. Ou seja, esta gente delega naqueles que menos ganham a responsabilidade pelos níveis de produtividade e competitividade, mas só quando ambos são baixos. Repare-se que esta gente não é capaz de pensar na questão de forma inversa, ou seja, na possibilidade de a evolução da produtividade estar relacionada com o aumento do SMN. Quero com isto dizer que, quem é aumentado sentir-se-á motivado a produzir mais, naturalmente. É também importante não esquecer que o aumento do SMN conduz ao crescimento económico, já que a população que o aufere apresenta uma enorme probabilidade de o gastar, promovendo o aumento do consumo e da circulação do dinheiro. Promovendo também a competitividade e a criação de mais emprego. Mas não quero com isto dizer que a questão se esgota por aí.

 

Já Passos Coelho e a Direita que o acompanha pensam no SMN como uma chaga para economia, para a produtividade e competitividade das empresas. Para eles o ideal seria pagar ainda menos do que o actual SMN, ou até mesmo nem pagar nada, em nome da competitividade das empresas.

 

E, já agora, se para Passos Coelho a questão do aumento SMN se prende apenas com a produtividade, eu gostaria de lhe perguntar como pretende solucionar o problema. Como pretende medir a produtividade? A economia de um país apresenta níveis de produtividade diferentes entre sectores. E dentro do mesmo sector, temos agentes económicos com diferentes performances de produtividade e competitividade. Pretenderá Passos Coelho que os mais produtivos suportem o aumento salarial dos que menos produzem? Querem ver que Passos Coelho passou a defender a distribuição equitativa da riqueza?

 

Concluindo, parece razoável afirmar que o aumento do SMN não garante o aumento de produtividade, da mesma forma que a sua estagnação ou até mesmo uma redução ou extinção jamais garantirá competitividade e acréscimo de produtividade, como defende a Direita. O aumento do SMN é uma importante medida de combate à pobreza, e uma importante política de justiça social e protecção dos trabalhadores. É apenas isso.

4 comentários

  • Sem imagem de perfil

    João

    04.11.16

    Fantástico!
    Diga-me por favor onde posso adquirir o seu estudo de economia, e não só, porque necessitava de um manual desses e ler o seu comentário sem contexto não é muito esclarecedor.
    O Sr. está na profissão errada.
  • Sem imagem de perfil

    Daniel Silva

    04.11.16

    Numa biblioteca ao pe de sua casa, existe varios livros que estudaram a evolução de economia de varios países que adoptaram diferentes estrategias de desenvolvimento economico. Uns liberais, outros comunistas, outros socialistas, outros ditatoriais etc. Nao estou com isto a dizer que o sistema é perfeito pois nao é, mas os factos sao que alguns países inovam e crescem, outros definham. E estas politicas de esquerda ja foram provadas que conduzem ao fracasso. O liberalismo conduz a uma deficiencia de ricos e pobres enorme mas ao menos há evolução. Parar é ficarmos todos pobres. Existe um meio termo mas nao é com estas politicas de esquerda de 1867 com o karl Marx. A esquerda tambem se apoia sempre em Keynes quando este,apos a depressao de 29 criou um sistema para o estado entrar na economia. O que eles nao contam é que Keynes, passado uns anos , afirmou que se arrependeu dessa estrategia pois so funciona como uma boia de salvação que mais cedo ou mais tarde se esvazia.


    Está na altura de criar uma esquerda consciente, uma esquerda onde o estado apenas defina a baliza e nao como se deve chutar. Que crie directrizes numa sociedade e nao leis rigidas intransponiveis.Um estado social, que apoie realmente quem precisa e nao quem nao quer trabalhar. Um estado social que permita as pessoas viver livres.
  • Sem imagem de perfil

    João

    04.11.16

    Agradeço o seu comentário.
    Eu questionei pelo seu livro. Nas papelarias eu sei que existem vários.
    Gostei principalmente da versão de que pelo menos andamos nem que seja criar cada vez mais um fosso entre ricos e pobres. Isso é pouco importante. O que interessa é mesmo andar.
    Concordo que esta política não nos vai levar a nenhum lado. Mas quando é que levou?
    Que eu visse, nunca.
    Concordo igualmente com a sua visão da esquerda.
    Um abraço
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