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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Passos troca passos!

Depois da frívola entrevista de ontem é impossível não fazer um pequeno comentário sobre o assunto. Será mesmo um pequeno apontamento, bem à altura de Passos Coelho e do seu discurso verborreico.

 

O que se pode resumir da entrevista é que Passos Coelho raramente fala verdade, usando muitas vezes argumentos que são totalmente falsos como fez, por exemplo, na resposta à questão das rendas e dos "feudos" colocada por José Gomes Ferreira. Uma das poucas perguntas ousadas, no entanto pouco explorada. Aliás, notei um José Gomes Ferreira muito brando para quem há não muito tempo fartava-se de coleccionar seguidores na sua cruzada contra os poderes instalados, mas isso é outra história. Vejam lá que, Passos Coelho, afirmou que a negociação que o seu governo fez em matéria de energia foi muito bom para o Estado português que assim encaixou dinheirinho para abater na dívida. Montante que nem sequer chegou a fazer cócegas no valor da dívida, sendo que aquilo que seria uma fonte de receitas constantes para o Estado deixou de o ser. Passos chegou mesmo a dizer que, no caso da energia, se não tivessem negociado como fizeram, o valor da energia para os portugueses aumentaria cerca de 10% ao ano durante vários anos consecutivamente. Mas que impudência a deste tipo! Não sei se alguém embarcou nesta, mas o José Gomes Ferreira aparentemente comeu. Enfim...

 

Vamos ao que interessa.

 

Passos quer que se lixem as eleições, mas esta entrevista não foi mais do que um momento privilegiado de campanha. 

 

Passos dirige-se ao país, ignorando o desemprego e o aumento da pobreza.

 

Passos não apresentou políticas de criação de emprego e crescimento.

 

Passos acha que é cedo para falar nas eleições presidenciais, mas aproveita para lançar a candidatura de Durão Barroso.

 

Passos aproveitou para demonstrar que muitas vezes diverge da opinião de Cavaco Silva, sem no entanto perder a tremenda adulação que lhe tem, considerando-o o paradigma da presidência.

 

Passos considera que o resultado das eleições autárquicas, bem como o das europeias não encerra nenhum tipo de leitura para a sua governação. Passos considera que o seu "julgamento" deve ser efectuado apenas nas eleições legislativas e que os mandatos são para cumprir, excepto quando o seu partido não está no poder. 

 

Passos considera-se mandatado pela maioria dos portugueses para cumprir o mandato até ao fim, porque teve maioria nas eleições. Primeiro é importante recordar que o seu partido não teve maioria absoluta nas eleições. Segundo, aqueles que nele votaram, fizeram-no porque acreditaram no programa e nas ideias que ele apresentou em campanha. Mandataram-no para que cumprisse o que prometeu e não para fazer aquilo que tem feito. 

 

Passos considera que a coligação vende saúde e que o seu relacionamento com Portas é bom, tão bom que se prepara para o nomear como próximo comissário europeu fazendo jus à sua irrevogável demissão.

 

Passos considerou-se o herói da pátria, o salvador da nação, reiterando a sua convicção em fazer todos os sacrifícios que forem necessários para tirar o país da situação em que se encontra, desde que seja com o dinheiro dos outros, especialmente daqueles que menos têm. Assim até eu seria Primeiro-ministro e ainda evitava o despesismo dos ministérios, empresas de consultoria, etc.

 

Passos trocou os passos a ele próprio e a todos quantos continuam a apoiá-lo. Este jotinha de Massamá é mesmo uma anedota, daquelas que fazem chorar.

 

P.S. Afinal o breve comentário prometido no início tornou-se um pouco longo, é que às vezes eu sou como Passos Coelho, no que respeita ao cumprimento do prometido.