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Contrário

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Pedro Nuno Santos fala grosso ao país, mas pia fininho nas negociações

O Ministro das Infra-estruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, ainda não conseguiu explicar por que razão a falência da TAP seria muito “pior para o país”. Não estou a dizer que o governo deveria ter deixado cair a empresa, pois não disponho de informação suficiente para ter a certeza de qual seria a melhor opção.

Contudo, nós, as pessoas, o povo, já estamos habituados a que a expressão “pior para o país” queira dizer “pior para meia-dúzia de marmanjos” e “quase indiferente para a maioria das pessoas”. Eu falo por mim, obviamente, mas não creio que a TAP seja assim tão indispensável ao país. Aliás, para mim as empresas são como as pessoas, ou seja, profissionalmente e nos negócios não há indispensáveis. Tomando como exemplo as inúmeras viagens de avião que já efectuei, a esmagadora maioria delas por motivos de trabalho, não chego a contabilizar nem 10% de viagens efectuadas na TAP.

Se a TAP falisse, o mercado trataria de ajustar a oferta à procura. Mas, com mil raios, não é isso que o mercado faz? Como é possível os liberais não estarem já todos na rua a defender a falência da TAP e as sacrossantas leis dos mercados?

Voltando a Pedro Nuno Santos, aceitemos que, de facto, seria pior para os portugueses deixar cair a TAP. Nesse sentido, por que razão não optou por nacionalizar a empresa? Também ainda não conseguiu explicar esse ponto, apesar de o Estado deter, agora, 72,5% da empresa. Podem dizer que a TAP não foi nacionalizada, mas o seu controlo é público. Ou será que o senhor Humberto Pedrosa, com apenas 22,5% do capital da empresa, é que vai mandar? Não me admiraria nada, já que o Estado é accionista maioritário desde 2015 e, pelos vistos, o governo nem sequer sabia o que por lá se passava, apesar de lá ter plantado o muito competente e sempre atento Miguel Frasquilho.

Pedro Nuno Santos também não explicou os contornos do negócio com o senhor Neeleman. Vejamos, em 2015, a TAP estava mal, mas não tão mal como agora, e o senhor Neelman (juntamente com o Barraqueiro) conseguiu comprar, ao Estado, 45% do capital da empresa por 10 milhões de patacas. Agora, o Estado recompra metade dessa participação (22,5%) por 55 milhões de euros. Sim senhor, o Estado sempre em grande nos negócios com privados.

Portanto, em apenas 5 anos, o senhor Neeleman conseguiu valorizar a empresa em 1100%. Como é que o ministro Pedro Nuno Santos deixou fugir este mago dos negócios da aviação? E ainda diz que contratou uma empresa (mais uma despesa para o erário público) para encontrar um gestor de topo para a TAP. Isto realmente… Não vai encontrar nenhum tão bom como o Neeleman, com toda a certeza.

A procissão ainda vai no hangar, mas já não se me oferece qualquer dúvida de que, tal como no BPN, no Banif, no BES/Novo Banco e na fresquinha Efacec, também na TAP veremos milhares de milhões a desaparecer dos nossos bolsos.

Que raio de governantes são estes, os actuais e os do passado, sempre tão expeditos a delapidar o património público, a nacionalizar prejuízos e a tapar os buracos da gestão privada? Os escolhidos, não é verdade?