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RAPIDINHA

Pensas que eu sou um caso isolado

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O governo decidiu reduzir novamente o período de isolamento para todas as pessoas que testem positivo à Covid-19. Recordemos que o primeiro período de isolamento era de 14 dias, tendo reduzido para sete dias e, agora, para apenas cinco.

Faz algum sentido reduzir o período de isolamento? Bem, depende do ponto de vista com que se aborda o assunto. Se a preocupação for a saúde pública e a contenção dos contágios, a resposta é não. Na perspectiva da saúde, não faz sentido reduzir o período de isolamento, porque as pessoas continuam a poder contagiar, não apenas ao fim de cinco dias, como após os sete dias em vigor até há pouco tempo. Eu conheço várias dezenas de pessoas que testaram positivo nos últimos meses, e quase todas elas continuavam a testar positivo após os sete dias de isolamento. E, note-se, continuavam a testar positivo com um teste rápido de antigénio que, como todos já deveriam saber, só apresentam positividade com carga viral considerável.

E há ainda um outro pormenor que importa abordar. Muitas pessoas só testam positivo vários dias após o aparecimento dos primeiros sintomas, pelo que só contactam o SNS após terem um teste positivo. No entanto, o período determinado pelo SNS para o respectivo isolamento começa a contar, não a partir da data do teste positivo, mas sim a partir do dia em que apareceram os primeiros sintomas. O que significa que se uma determinada pessoa não quiser faltar ao trabalho, ou às aulas, ou simplesmente não queira ficar em isolamento, basta dizer que os primeiros sintomas já haviam aparecido há vários dias. Contudo, mesmo dizendo a verdade, o facto é que após os sete dias de isolamento (em vigor até ontem) a esmagadora maioria das pessoas continua positiva. Saliente-se o facto de as pessoas não terem a obrigatoriedade de usar a máscara na maioria dos locais públicos.

A questão é que o governo olha para o assunto numa perspectiva financeira e não de saúde. Interessa ao governo reduzir ao máximo este período, porque isso representa um custo para o Estado e também para as empresas, que muito pressionaram o governo para a redução do período de isolamento.

Bom, se em primeiro lugar estão as preocupações económicas e não as da saúde, então que se acabe definitivamente com o período de isolamento. Basta de hipocrisia. Até porque esta variante do vírus é a mais contagiosa e não há nenhum dado científico – na perspectiva do contágio – que corrobore a decisão de reduzir o período de isolamento.