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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

A cotação do petróleo continua em queda, mas os combustíveis vão aumentar. Porquê? Porque sim. Além disso, o Euro2024 está a começar e andam todos distraídos a bater palmas ao autocarro da selecção... portanto, é uma boa altura para aumentar os preços.

Peso na consciência ou pura demência?

Em plena semana da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril apareceram uns a falar em comemorar o 25 de Novembro, alegando que se trata de uma data tão ou mais importante que o 25 de Abril. E apareceram outros a falar no dever de reparação que Portugal tem para com as ex-colónias.

Vejamos, durante 50 anos ninguém falou em dever de reparação às ex-colónias ou em celebrar o 25 de Novembro. No entanto, aparentemente do nada e cobertos de uma falsa espontaneidade, lá apareceram umas personalidades “insuspeitas” a falar destes dois assuntos, até agora entendidos como “não assuntos”, que é o que realmente são.

Marcelo Rebelo de Sousa entende que “Portugal deve liderar o processo de reparação às ex-colónias”, sustentando que isso constitui algo que é da obrigação de Portugal e que não pode ser metido debaixo do tapete. Ora, não se percebe muito bem a razão pela qual Marcelo se lembrou de vir agora com este assunto. E por que razão não o fez antes. E, já agora, será que alguma ex-colónia se pronunciou no sentido de exigir o que quer que seja à ex-metrópole?

A verborreia de Marcelo revela uma preocupante senilidade. Ou então, será apenas peso na consciência. Quanto mais não seja o peso herdado, já que seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa foi ministro do ultramar. Talvez isso explique o eventual peso na consciência de Marcelo.

Vejamos as coisas como realmente são. Todos os males que foram causados pela colonização decorreram da actuação de quem estava no poder naquela altura e, obviamente de todos quantos participaram do banquete colonial que - como também toda a gente deveria saber – trata-se de uma minoria de cidadãos portugueses. Certamente que ninguém está à espera que o Portugal actual se responsabilize por aquilo que alguns portugueses, desde há séculos atrás até há cerca de 50 anos andaram a fazer de errado.

Por outro lado, se a ideia é reparar aquilo que de negativo foi imposto às ex-colónias no passado mais recente, como a guerra colonial, o período que antecedeu o 25 de Abril ou até mesmo o processo de descolonização, uma vez mais teremos que analisar quem foram os responsáveis por esses males.

Não foram os portugueses, em geral, ou Portugal no seu todo, os responsáveis por essas catástrofes. Foi quem estava no poder nessas alturas (o paizinho de Marcelo e seu querido “padrinho”, por exemplo) que têm que responder por eventuais reparações. Como a maioria já cá não se encontra, os seus herdeiros que respondam pelos seus actos.

E convinha começar por assumir que, muito daquilo que de mal aconteceu aos povos colonizados também aconteceu ao povo português. Ou seja, a quase totalidade dos cidadãos portugueses também sofreram muito com a colonização e, particamente nenhum tirou qualquer proveito com a opressão e exploração dos povos colonizados. Portanto, o povo não teve culpa. Não queiram agora pôr-nos – todos - a pagar por aquilo que “meia dúzia” de empoleirados no poder fizeram em nome da nação.

Milhares de portugueses foram obrigados a combater na guerra colonial, muitos deles perderam a vida, muitos ficaram mutilados e todos eles foram sujeitos a um inferno do qual não queriam tomar parte. Foram muitas as famílias portuguesas destruídas e praticamente nenhum português tirou qualquer proveito da exploração colonial. Mas houve uns poucos que tiraram e não foi pouco. É muito fácil perceber quem são. Basta atentar na quantidade de políticos e famílias de empresários portugueses que nasceram nas ex-colónias (mas em berços de ouro) e em todos os mantiveram e que ainda mantêm grandes negociatas com os actuais regimes e que – muitos deles, ou seus descendentes - ainda se encontram por cá, à muito boa vida e a lucrar como sempre lucraram. Se é para reparar alguma coisa, eles que avancem, porque esses sim, esses engordaram muito à conta da exploração colonial. O povo português não tem nenhuma responsabilidade para assumir nesta matéria.

E, para terminar, um outro que também parece sofrer de peso na consciência ou pura demência, ou ambos. O general Ramalho Eanes – esse grande homem, visto como uma relíquia da pátria – não satisfeito com as patetices que proferiu no espaço de propaganda concedido a esse grande estadista que é Marques Mendes, ainda se atreveu a acrescentar que o 25 de Novembro foi muito importante para Portugal, porque impediu a implementação de um regime totalitário por parte do PCP.

Portanto, mais um que padece de senilidade em estado avançado. Vejamos, o PCP está, no momento, reduzido a muito pouco, mas ainda há quem pretenda insistir na perseguição ao partido que mais lutou pela liberdade, pela democracia e pelo 25 de Abril. Foi sempre assim, especialmente após o 25 de Abril, para que os fascistas – santificados pelo 25 de Novembro – pudessem continuar no poder.

Talvez tenha sido o facto de estarmos a comemorar o cinquentenário do 25 de Abril que fez com que certo tipo de gente voltasse a reviver – como nunca antes – os acontecimentos ocorridos em Abril de 1974. Fica-se com a sensação – no meu caso, com a absoluta certeza – de que é uma data que lhes continua atravessada em algum sítio muito incómodo.

Mas, como sou de factos e não de conspirações, eu desafio o senhor “general bem-posto” a provar aquilo que disse. Se Ramalho Eanes não que ser percebido como alguém que não é aquilo que aparenta (e sempre aparentou) ser, ou então, se não quer ser percepcionado com alguém que está completamente senil, então que venha a público – tão lampeiramente como veio dizer estas sandices – corrigir-se ou comprovar as patéticas alegações que fez acerca das intenções do PCP, logo após o 25 de Abril de 1974. Em que facto é que se baseia para afirmar tal insanidade?

Isto só vem comprovar aquilo que sempre disse, ou seja, que o 25 de Novembro apenas serviu para matar os desígnios do 25 de Abril e para afastar do poder todos aqueles que mais lutaram pela liberdade e pela democracia. Os factos estão todos aí, bem na frente dos olhos de todos. Só os ignora quem quer.

E, já agora, só mais um pormenor. O PCP apoiou a recandidatura de Ramalho Eanes para a presidência da república em 1980. Parece que nessa altura Ramalho Eanes já tinha esquecido as alegadas intenções do PCP em implementar um regime totalitário. Curiosamente, partidos como o PSD e o CDS, que tanto enchem a boca com o 25 de Novembro, na altura não demonstraram qualquer simpatia por Ramalho Eanes, muito pelo contrário. Ele há coisas…

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