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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

Podem tentar, mas não conseguem esconder ao que vêm

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A propaganda diz que o Governo pretende que seja possível acumular o subsídio de desemprego com salário. Quem ouve e lê pensa: “Bem, mas que belo incentivo para que os 'preguiçosos' que estão a receber subsídio de desemprego possam voltar ao activo”. Afinal, toda a gente sabe que o sonho de qualquer pessoa é estar na condição de desempregado e a receber o respectivo subsídio.

A propaganda também diz que a senhora ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, pretende alterar a lei, de modo a que os beneficiários do subsídio de desemprego não fiquem a perder, caso voltem a trabalhar antes do término do período de recebimento do respectivo subsídio. Bem, de repente, passou-se de uma situação de “incentivo” para uma situação de “não ficar a perder”.

Já a realidade demonstra que a ministra do Trabalho e o seu governo pretende apenas alterar a lei que regulamenta as condições de atribuição do subsídio de desemprego e, principalmente, a fórmula de cálculo do valor do subsídio de desemprego. Para pior, obviamente.

Reparem, a ministra disse que não pode haver vantagem sobre quem trabalha. Ou seja, a ministra considera que os desempregados - além de serem um bando de preguiçosos que só pretendem viver à custa do Estado - não podem receber mais do que aqueles que estão a trabalhar, como se todos os cidadãos que estão no activo recebessem o mesmo salário.

Como é sabido, as pessoas não auferem o mesmo valor salarial, pelo que o subsídio de desemprego atribuído também apresenta valores muito diferentes. Por conseguinte, não há forma de evitar que algumas pessoas que estão desempregadas estejam a receber mais do que algumas pessoas que estão a trabalhar. Tal como muitas pessoas recebem pensões que são muito superiores ao salário da maioria das pessoas que estão no activo.

O problema não é o valor do subsídio de desemprego, mas sim a disparidade salarial e, sobretudo, a política de salários baixos que se pratica em Portugal. Quem pretende corrigir esta situação de injustiça social deve começar por trabalhar no sentido de aumentar o valor dos salários, principalmente o valor dos salários mais baixos – que são atribuídos à maioria dos trabalhadores portugueses.

Ora, bem se vê qual é a intenção deste governo. Quando vêm com o subterfúgio de que é necessário alterar a lei do subsídio de desemprego, por forma a impedir que haja desempregados a receber um subsídio de desemprego superior ao salário de quem está a trabalhar, só estão a anunciar a sua pérfida intenção de atentar contra mais um direito social adquirido pela classe trabalhadora e promover a política de salários baixos praticadas pelos patrões.

Quem não os conhecer que os compre.