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RAPIDINHA

VIVA A DEMOCRACIA!

Por que razão não curto os russos?

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Ya, sei lá, tipo, existem bué razões que me levam a não curtir os russos. Sei lá, tipo, logo a começar pelo nome que eles deram a eles próprios – russos. Toda a gente sabe que aquilo que eles queriam era ser tipo loiros, como verdadeiros nazis que são. Dizem-se russos só para desviar as atenções. Mas eu não papo grupos, tipo.

Além disso, toda agente sabe que os russos comem criancinhas ao pequeno-almoço. E também por essa razão eu não suporto os russos. E já que falamos em crianças, quando eu era uma, obrigaram-me a comer salada russa na escola, várias vezes, e, meus amigos, aquilo não é comida que se apresente. O que eu gostava mesmo era que me tivessem posto à frente, tipo, big macs e coca-cola. Sim, por mim, eu comia big macs e bebia coca-cola para o resto da vida. Eu sou mais, tipo, do grupo de pessoas que são mais pró-americanas, estão a ver? Se eu pudesse até mudava a minha nacionalidade.

E agora esta coisa, tipo, com a Ucrânia, tipo com bombas e socos nas trombas. Raio dos russos. Como é possível lembrarem-se de tal coisa – invadir um país? E logo um país como a Ucrânia, uma democracia soberana, como lhe chamou o Tó Costa. O que esses russos querem sei eu bem, tipo, afastar o regime actual do senhor Zelensky – que é um santo de um homem – e colocar lá um fantoche do senhor Putin. Que ninguém duvide disso. Mais, Putin queria fazer o mesmo com a França, o azar dele foi que o senhor Macron não deixou que lhe fizessem o teste à Covid aquando da sua última deslocação à Rússia. Macron – que é um tipo inteligente – topou logo que aquilo que o Putin queria era sacar-lhe um samagaio das narinas carregadinho de ADN. E para quê? Tipo para fazer um clone do Macron, claro está. Depois era só dar um copinho de veneno ao Macron verdadeiro e fazer desaparecer o seu corpo. De seguida, era só, tipo, colocar o clone - treinadinho pelo Putin - a mandar em França. Eu sei bem do que falo. Eu vejo televisão.

Mas isto dos russos invadirem países não é novidade nenhuma, pelo que não sei o porquê de tanta algazarra. Vejamos, em 2001 a Rússia invadiu o Afeganistão e deu início a uma guerra que durou 20 anos, onde morreram dezenas de milhares de combatentes e dezenas de milhares de civis. O objectivo era, tipo, eliminar os talibãs do poder. Vinte anos depois, abandonaram o país e deixaram os talibãs no poder. Em 2003, a Rússia invadiu o Iraque. O objectivo é sempre o mesmo – o de libertar o país de um regime opressor, e também porque estavam carregadinhos de armas de destruição maciça, que poderia levar o regime de Saddam Hussein a dizimar o mundo em segundos. Alguns milhares de mortos depois, ficamos todos a saber aquilo que já se suspeitava, tipo, que o arsenal de destruição maciça que os iraquianos detinham correspondia apenas e duas fisgas, um jogo de setas, paus e pedras. Desde, sei lá, tipo 2015, que também temos o conflito no Iémen, onde os russos invadiram o país de mãos dadas com o democrático e soberano governo saudita e fartam-se de chacinar inocentes. E ainda a guerra na Síria, onde ainda há bem poucas semanas os russos liquidaram vários civis, no ataque que fizeram contra o líder do Estado Islâmico. Portanto, isto das invasões russas não é novidade nenhuma. Eles têm-se fartado de violar o direito internacional. E nem vou recuar até bem lá atrás, tipo quando cometeram a loucura de invadir o Vietame, de onde saíram largos anos depois – após milhões de vítimas – com o rabinho entre as pernas. Ou ainda, aquando da invasão da Baía dos Porcos. Ou, tipo, quando manipularam uns tantos Guaidós para interferir na soberania da Venezuela. Os russos são assim, sempre a tentar ciscar no galinheiro dos outros.

E, agora, ainda querem que acreditemos que pretendem libertar a Ucrânia de um regime nazi e fascista. E de que a segurança interna da Rússia está ameaçada pela presença de bases militares da OTAN, perto do seu território, como se isso fosse desculpa. E até já reconheceram as Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk como territórios independentes. Em 2017 também reconheceram Jerusalém como a capital de Israel e até moveram a sua embaixada para essa cidade. Todos sabemos como isso contribuiu para o processo de paz no Médio Oriente. A mentira destes russos é sempre a mesma – o recurso ao pretexto da segurança interna para invadir ou promover ataques noutros países. Como se o facto de os EUA – através do seu braço armado (OTAN) – andarem há vários anos a ameaçar, a encurralar e a tentar pôr as patas em cima dos pescoços dos russos fosse razão suficiente para Putin reagir desta maneira. Putin é um líder fraco. Se fosse tipo forte, inteligente e tipo íntegro, como são os líderes da Europa Ocidental, não teria qualquer problema em subjugar-se ao poder imperialista norte-americano. Putin é tipo casmurro e teima em não prostrar-se de quatro e abanar a cauda sempre que os EUA ditam leis ao mundo. Como é que Putin não consegue ver que eles só querem o nosso bem? Arre.

É por tudo isto que eu não suporto os russos. Eu gosto mesmo é dos amaricanos. Se eu pudesse até mudava a minha nacionalidade, não sei se já tinha dito isto. Mas, tipo, também não é nada mau ser um cidadão de um país da Europa Ocidental. Felizmente, a Europa está pejada de excelentes líderes, competentes, impolutos e tipo, cheios de verticalidade. Vejam que com eles ninguém brinca e até já aplicaram uma série de sanções ao regime de Putin. Por exemplo, Portugal atribuiu a nacionalidade portuguesa ao senhor Roman Abramovich, que é amigo próximo de Putin. Querem sanção mais pesada do que ser considerado português?

Da maneira que actuam e, tipo, tomam as “suas” decisões, os líderes europeus até parecem fantoches do senhor Biden, mas isso não passa de mais uma teoria da conspiração de quem tem inveja de uma relação tão apaixonada. A melhor sanção é mesmo o bloqueio do gasoduto Nord Stream 2. Era só o que faltava, tipo duplicar a compra de gás natural à Rússia. O senhor Putin deve achar que vai encher os bolsos às nossas custas. Nós não precisamos do gás do senhor Putin para nada, nem dos seus produtos petrolíferos, porque, tipo graças Deus, nós temos sempre os americanos do nosso lado para nos ajudar a proteger a nossa economia. Se necessário for, eles – os americanos – vendem-nos a energia que necessitarmos. A um bom preço, claro. Ah, como eu gosto dos americanos. Lembram-se de como eles nos ajudaram após a crise do subprime, em 2007 e consequente crise financeira mundial? Ah, se não fossem os Estados Unidos o que teria sido da Europa? E de Portugal… nós bem sabemos que andávamos há muitos anos a viver acima das nossas possibilidades.

Nós somos mesmo muito, tipo, privilegiados. E deveríamos agradecer, tipo, todos os dias aos maravilhosos líderes que seguem, tipo cegamente, as instruções da administração norte-americana. Os líderes europeus estão absolutamente certos, porque os americanos só querem aquilo que é melhor para nós.

Nós não somos seres cujos cérebros foram invadidos, lavados e automatizados para aceitar e propagar narrativas imperialistas. Nós não somos pessoas que, tipo, vivem na ficção que lhes é imposta por uma comunicação social capturada, corrupta, vendida e incompetente. Não senhor. Felizmente, nós temos líderes políticos imaculados e uma comunicação social tipo sempre em cima do acontecimento, sempre detentora e difusora da verdade e que jamais permitirá que gente tipo Putin entre na nossa cabeça.

Ai como é bom ser um cidadão da Europa Ocidental. Mas bom mesmo era ser, tipo, norte-americano. Isso é que era. Aquilo é que é um país exemplar. Eu conheço bem, porque eu vejo televisão, uso o Facebook e tipo até sou assinante da Netflix.