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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Porque é que o ministro Cabrita ainda não se demitiu? É óbvio…

Passaram-se nove meses após a morte do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk nas instalações do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), sem que nenhum político com responsabilidades directas no assunto tivesse actuado condignamente. Nem sequer se deram ao trabalho de transmitir uma mensagem de pesar à família e de colaborar com a trasladação do corpo para o seu país.

O Ministro da Administração Interna, o Primeiro-ministro e o Presidente da República estiveram nove meses sem dizer nada sobre o assunto. A senhora directora do SEF, que deveria ter-se demitido logo na altura em que os factos aconteceram, demorou 271 dias a apresentar a sua mais que exigida demissão. E só o fez para tentar evitar a demissão do MAI, Eduardo Cabrita.

Contudo, está mais do que visto que, passado tanto tempo, não há nada que possa salvar a pele a Eduardo Cabrita. O ministro fez, ontem, uma declaração ao país em que mais parecia a principal vítima de todo este imbróglio. No entanto, eu acho que o ministro até tinha a intenção de apresentar a sua demissão e só não o fez porque o Primeiro-ministro, António Costa, lhe terá pedido para não o fazer.

Reparem que não há ninguém que fique bem nesta fotografia, nem mesmo os restantes partidos políticos que também não deram muita importância a este caso, verdade seja dita. O próprio Presidente da República quase não falou sobre o assunto, mesmo na altura em que aconteceu a escandalosa morte de um cidadão estrangeiro às mãos do Estado português. Marcelo Rebelo de Sousa, que muito aprecia apresentar condolências, não foi capaz de o fazer neste caso, em que era exigido que o fizesse, dadas as circunstâncias dos acontecimentos.

Mas voltemos à demissão do ministro Cabrita. É óbvio que o ministro já se encontra demitido, nem sei se a sua vigência no cargo durará até à próxima Terça-feira, altura em que deverá apresentar-se na Assembleia da República para ser ouvido sobre o caso. Pois, como referi anteriormente, o próprio Eduardo Cabrita já se teria demitido, não fosse António Costa ter-lhe pedido para não o fazer. E porquê? Para que seja o próprio Primeiro-ministro a demiti-lo e, assim, fazer passar a imagem de que repôs a ordem no galinheiro, fazendo de conta que este hiato de nove meses não aconteceu.

Costa terá entendido que, se a demissão da directora do SEF não salva a pele do ministro, então a demissão voluntária do ministro, provavelmente também não limpará a imagem do Primeiro-ministro. 

Inacreditável. A pandemia não pode servir de desculpa para tanta abstracção e passividade, ao mais alto nível.