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Portas de 2009 vs Portas de 2015

No passado Domingo à noite, Passos e Portas fizeram uma declaração ao país, após a confirmação dos resultados eleitorais. Concentremo-nos nas declarações de Portas que, no final das contas, foram as mais marcantes. Mas, vamos ainda fazer melhor. Vamos comparar as declarações deste Domingo com aquelas que Portas fez na noite das eleições de 2009, quando Sócrates venceu com minoria.

 

Em 2009, Portas começou por dizer que “o povo tirou a maioria a José Sócrates”; Agora, Portas disse que “a coligação venceu as eleições, venceu com clareza e significativa distância em relação ao segundo classificado”. Ora a distância de que fala agora é de 6% a favor da coligação. Em 2009, mesmo tendo perdido a maioria absoluta, o PS ficou à frente do segundo classificado mais de 7%.

O Portas das eleições de 2009 disse que “O PS desceu de 45% para 36%”; Mas o Portas de 2015 não quis dizer que a coligação desceu de 50% para 38%... é fazer as contas.

O Portas de 2009 disse com aquele entusiasmo que o caracteriza que “O PS perdeu mais de meio milhão de votos (de 2005 para 2009)”; Já o Portas de 2015 não fez nenhuma referência aos mais de 700 mil votos que a coligação perdeu de 2011 a 2015.

O Portas de 2009 concluía que “o país recusou a arrogância e a prepotência de uma maioria absoluta transformada em poder absoluto”; mas o Portas de agora está convicto que “os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos”.

O Paulo Portas de 2009 exultava de alegria dizendo que ”o CDS passou a disputar outro campeonato por ter atingido 10% e ter ficado à frente do BE e da CDU”. Agora o partido de Portas ficou atrás do BE e com a CDU à perna, mas Portas, considerou oportuno afirmar que o CDS "continua a ser a 3.ª maior força política no Parlamento"… é fazer as contas.

 

Desde o primeiro segundo, após a saída dos resultados eleitorais de 2009, a oposição, em especial Passos e Portas encetaram de imediato uma campanha para derrubar o governo minoritário de Sócrates (acobertados pelo Cavaco e grande parte da comunicação social), mas agora Portas acha que "os portugueses disseram com total clareza que querem a coligação a governar nos próximos quatro anos".

 

No passado Domingo, Portas também disse que “o radicalismo de Esquerda não dá frutos”. Mas a verdade é que o BE mais que duplicou a sua representação parlamentar e assume-se agora como a terceira força política. A CDU também reforçou a votação, ainda que de forma muito mais contida.

 

E no final das suas declarações de Domingo, Portas agradeceu a Passos a campanha que fizeram em conjunto, que lhes permitiu este resultado. Então, o resultado não deveria estar relacionado com a boa (ou má) governação dos últimos quatro anos? Parece que o que conta é a campanha…

 

E agora? Agora aqueles que durante toda a campanha eleitoral andaram a colar o PS à Esquerda mais radical são os mesmos que estendem a passadeira ao PS e suplicam por entendimentos. O Portas de 2015 diz “a grande maioria parlamentar continua a ser ocupada pelos partidos do arco da governação", já não está interessado em colar o PS à extrema-esquerda, agora que precisa da sua anuência para se manter no poder e continuar a satisfazer os seus clientes.

 

Palavras para quê? É o irrevogável Portas, pois claro.

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