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Contrário

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Portas não bate a porta

Paulo Portas é um dos deputados mais faltosos da Assembleia da República. Já faltou dezasseis vezes. Só neste mês de Maio já faltou a mais de metade das sessões plenárias. Pior que o número de faltas são os assuntos aos quais cobardemente virou as costas, sem bater de vez com a porta, é que o salário de deputado (que alguns dizem que é pequeno) ainda dá um jeitão. Portas não compareceu à discussão de temas como o Orçamento do Estado, a procriação medicamente assistida e a maternidade de substituição.

 

E de quem é a culpa dessa impune bardinice dos deputados? Ainda hoje se pôde constatar que apenas cerca de metade dos deputados marcaram presença na Assembleia da República. E não tenho dúvidas que todos os que faltaram hoje, para passar um fim-de-semana de 4 dias no Algarve, não terão nenhum problema em ver aceite as suas justificações. A culpa é da própria Assembleia da República que, no Estatuto dos Deputados prevê que estes possam faltar até três vezes de forma injustificada, sendo que atingido esse limite poderá haver lugar a perda de mandato. Contudo, os deputados nunca dão faltas injustificadas. Não, eles não querem perder a rendosa diária, muito menos pôr em causa a continuidade do mandato. Podem faltar à fartazana, desde que justifiquem. E podem engenhar qualquer coisa como justificação. A Assembleia da República, que é deles, aceita tudo. No caso de Portas, parece que o mesmo tem alegado “trabalho político” para justificar o seu elevado absentismo. Alguém conhece algum trabalho político de Paulo Portas nos últimos meses?

 

Em Dezembro de 2015, Portas havia dito que abandonaria o cargo de deputado, por considerar que isso poderia ofuscar a liderança de Assunção Cristas. Contudo, já todos sabemos que aquilo que Portas diz não é para ser levado a sério. Ora, estamos no final de Maio e o "líder" do CDS ainda não renunciou ao cargo para o qual foi eleito. Entretanto, Portas já veio dizer que “está por dias” a sua saída da Assembleia da República. Deve estar à espera do final do mês, só para facilitar as contas aos processadores de salários da AR. Ou então, estará a completar alguma contagem de dias para uma futura reforma de agradável e adequado valor. Portas vai sair, disso não há dúvidas. Mas, primeiro, necessita de asseverar com a TVI o seu lugar de comentador. Portas será o próximo bitaiteiro da referida estação televisiva. Portas quer começar, desde já, a traçar “os caminhos de Marcelo”, estando convicto que isso o levará a alcançar o mesmo objectivo, ou seja, a Presidência da República, daqui a dez anos.

 

Portas é assim. Tem muita dificuldade em bater com a porta, especialmente se dessa porta saem cobres para o seu bolso. Encenou a saída da liderança do seu partido que, como todos sabemos, continua a liderar. Disse que abandonaria a Assembleia da República e, apesar de na prática já o ter feito, já que pouco intervém e poucas vezes lá vai, a verdade é que, oficialmente segue sendo deputado, com o único objectivo de ser pago por algo que, na verdade, se recusa exercer com a devida probidade. Portas seguirá agora para a TVI onde, provavelmente irá receber muito mais do que recebe enquanto deputado. Dir-me-ão que Portas até está a ser honesto, já que poderia acumular as duas funções. Mas eu digo que não. Não, por uma simples razão. A forma como Portas vai exercer o seu trabalhinho de comentador será completamente incompatível com a função de deputado que, no momento, o próprio já se recusa a exercer de forma honrada.

 

Estejam atentos e não percam as próximas sessões de malabarismo. Qual Cirque du Soleil qual quê…