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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Portas, o "Messias"

Por que razão decidiu anunciar, neste momento, a sua saída? É certo que os ratos costumam abandonar o navio quando este se está a afundar, mas segundo vozes do próprio CDS, “Paulo Portas é um dos melhores políticos da Europa”, então, agora mais do que nunca é que Portas se deveria empenhar na liderança do seu partido. Dentro de portas todos o amam, é o melhor, um verdadeiro líder e, quando a casa está a arder, o ídolo vai-se embora?

 

Portas decide abandonar neste momento, porque depois da atitude vergonhosa da sua bancada parlamentar (orquestrada por ele mesmo) na passada semana, aquando do voto contra o Orçamento Rectificativo (por causa do Banif), não lhe restava alternativa. Não porque ele esteja preocupado com valores como a dignidade, mas porque só assim consegue deixar acesa a chama que o trará à ribalta num futuro próximo. Como poderia continuar a submergir (e “submergir” é o verbo de Portas) em pleno Parlamento, sempre que as coisas apertassem?

 

Na sua declaração, Portas afirmou que se estivesse no governo também deixaria a liderança do partido, mas não deixaria o lugar no governo. Ora, estando na oposição, opta por deixar de liderar o partido e deixar também o lugar de deputado na Assembleia da República. A isto chama-se fugir como um rato, ou então, é apenas a dualidade de critérios habitual em Portas.

 

Mas, porquê agora? Porque não esperou pelo período pós-presidenciais? Só pode ser para causar maior impacto, perturbar o ambiente de pré-campanha e tentar, como sempre, fomentar a relevância pessoal. Portas está sempre a actuar em nome próprio. Portas não quer saber do partido que, aliás, há muito deixou de ser o CDS para se tornar no seu próprio partido – o PP de Paulo Portas.

 

Portas aproveita ainda este momento – campanha eleitoral para as presidenciais – para tentar perturbar os acontecimentos, quer chamar a si a atenção política e, bem no fundo, ele quer também dar uma facadinha em Marcelo Rebelo de Sousa, porque Portas não esquece.

 

Há quem ache que o CDS está agora condenado à irrelevância, mas a verdade é que o CDS já não tem qualquer relevância há muito tempo. Portas concentrou em si toda a importância que um partido (ainda que pequeno) deveria ter. Portas direccionou o “seu” partido sempre numa trajectória de consecução de ambições pessoais. Agora deixa-o entregue aos ganapos que o serviram desde o início, na esperança de que o partido se aguente até ao momento em que decida reaparecer em cena novamente. E isso pode ser muito antes do que se pensa, tudo vai depender da intensidade do cheiro da carniça.

 

Fala-se de Melos, Cristas, Soares, Almeidas ou Correias para a sucessão, e reparem que “sucessão” é o substantivo certo. São as marionetas de Paulo Portas. E, para mim, o partido que há muito era uma espécie de “sociedade unipessoal”, apesar de ter vários imitadores baratos do seu comandante (“comandante” é mesmo o substantivo correcto) está condenado à sua congénita insignificância. Veremos se o CDS se vai tornar, novamente, no “partido do táxi” ou no “partido do tuk-tuk”. Se o sucessor for o Mota Soares, é provável que se torne no “partido da lambreta”.

 

A verdade é que Portas vai sair de cena. O "caso Banif" foi a primeira bomba deixada pelo anterior governo a rebentar e Portas sabe que muitas outras irão estourar em breve. Esta "manobra" foi apenas o concretizar de mais uma "saída limpa", à Portas. Talvez Coelho lhe siga os passos em breve.

 

Mas Portas – o "Messias" – disse-lhes: “Não tenham medo”.