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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Presidenciais: venceu o candidato mais martelado

Uma vez mais, o grande vencedor das eleições foi o candidato invisível, que se chama abstenção. Mais de 51% dos eleitores não votaram.

 

Se repararmos na “classificação” final, facilmente constatamos que tem mais votos quem tem mais tempo de antena na comunicação social. Como tenho sempre vindo a referir, é a comunicação social que elege os candidatos que, por sua vez, controlam esses mesmos órgãos, directa ou indirectamente. Olhando para a lista de 10 candidatos identificamos, logo à partida, duas metades: os candidatos das máquinas partidárias (que controlam a comunicação social) que ficaram nos primeiros 5 lugares e os chamados “underdogs” que ocuparam a segunda metade da tabela.

 

Olhando para a primeira metade. Quem ficou em primeiro e destacado lugar? Marcelo Rebelo de Sousa, pois claro. E porquê? Porque, apesar de se dizer por aí que fez uma campanha sóbria, contida nos gastos, com pouco marketing, etc., a verdade é que a campanha de Marcelo começou há muitos anos atrás, tendo tempo de antena que chegasse e sobrasse em todas as televisões e em horário nobre. Marcelo era, de longe, o candidato com maior notoriedade e, só por esse motivo é que venceu. Em segundo aparece Sampaio da Nóvoa que até há alguns meses era um total desconhecido da maioria dos portugueses. Então como se explica que apareça em segundo lugar? Fácil. A máquina partidária socialista ainda tem muito peso e, além disso, deve ter sido a candidatura que mais investiu em comunicação e marketing nos últimos meses, daí ter conseguido ficar em segundo lugar. Logo a seguir vem a Marisa Matias que, a seguir a Marcelo, era a candidata com mais notoriedade e que só não ficou à frente de Sampaio da Nóvoa pelas razões que acabei de referir. Em quarto lugar temos a Maria de Belém que, noutros tempos, apresentaria outro nível de notoriedade, mas que agora não tem esse reconhecimento público que a poderia levar a outro resultado, além disso, foi completamente ostracizada pelo seu partido. O seu quarto lugar não é surpreendente, a percentagem de votos sim. Em quinto temos Edgar Silva, um completo desconhecido dos portugueses que o Partido Comunista decidiu lançar para o campo de batalha. Sendo desconhecido e comunista, é lógico que não teria grande destaque na comunicação social. Portanto, o quinto lugar não surpreende e, tal como acontece com Maria de Belém, o que surpreende é a percentagem baixa de votos amealhados.

 

Olhando agora para a segunda metade: os “underdogs”. Então, quem haveria de vencer a segunda metade da tabela? Claro que só poderia ser o candidato Vitorino Silva (Tino de Rans), de longe o candidato mais conhecido dos eleitores. E depois temos uma ordem perfeita daquilo que é uma votação de acordo com o tempo que uma cara aparece nos canais de televisão e outros meios de comunicação social, mas sobretudo nas televisões. Paulo de Morais (o segundo "underdog"), que ficou um pouco conhecido com as suas denúncias contra a corrupção, depois vem Henrique Neto que, sendo pouco conhecido, foi deputado muitos anos e que dificilmente ficaria atrás de Jorge Sequeira e Cândido Ferreira. Até entre estes dois últimos se consegue ver a importância do aparecer ou não aparecer nas TVs. Como é sabido, Cândido Ferreira recusou participar na maioria dos debates e convenhamos, foi o candidato com menor tempo de antena.

 

Portanto, não haja dúvida que é o “tempo de antena” que elege um candidato. É normal que assim seja, desde que os candidatos consigam vencer pela sua qualidade dentro desse tempo de antena e não pela quantidade de tempo que lhes é dada, ou seja, o que não é normal é que uns tenham mais tempo que outros.

 

Em suma, vencerá sempre o candidato mais martelado na comunicação social.