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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Presidente não disse o que devia

O Presidente da República dirigiu-se hoje à noite ao país, para renovar o estado de emergência. Falou sobre a situação actual da pandemia e até demonstrou alguma preocupação com o facto de poder haver um novo acréscimo de casos e consequente aumento da pressão no SNS, logo no início do ano, isto se não houver responsabilidade e juizinho no Natal.

Mas o que significa ser responsável no Natal? O que espera o Presidente da República quando, ele próprio, – e ao que parece, também o Governo – entende que deve haver um aligeirar das medidas restritivas no Natal? De que vale o esforço das medidas que têm sido implementadas e respeitadas pela maioria dos portugueses, se é para deitar tudo a perder no Natal? Será que o vírus também vai passar o Natal a casa da família? Será muito difícil perceber que esta batalha não pode fazer um intervalinho de relaxamento, sobretudo no pior período da pandemia?

É inconcebível que até se considere a possibilidade de deixar as pessoas assistirem à missa do galo. O que é isto? No período mais crítico da pandemia há quem se preocupe com a realização da missa do galo. Inacreditável.

Veremos o que vai dizer, amanhã, o Primeiro-ministro. Mas receio que não vá acrescentar muito mais do que aquilo que já foi dito por Marcelo.

Aquilo que Presidente da República e Primeiro-ministro deveriam dizer era algo muito simples: “Por favor, fiquem em casa neste Natal”. Sim, é isto que deveria estar a ser dito pelas autoridades políticas e da saúde, porque é óbvio aquilo que vai acontecer se houver ajuntamentos familiares. Quando falo de ajuntamentos familiares, refiro-me a todas as reuniões que comportem pessoas que não vivem na mesma casa. É isto que deve ser evitado, porque já se sabe o que este tipo de reuniões origina.

Não interessa nada determinar um número máximo de pessoas por casa, porque isso não garante nada. Por exemplo, qual o interesse em dizer que os ajuntamentos deverão ter, no máximo, seis pessoas? Seis pessoas numa sala de dez metros quadrados, não é a mesma coisa que seis pessoas numa sala com 50 metros quadrados. E as condições de climatização e circulação do ar também não são iguais em todas as casas. Não há qualquer interesse em determinar um número máximo, porque esse número máximo por família já está determinado por natureza, ou seja, o número de pessoas que compõem os agregados familiares – os que vivem na mesma casa.

Portanto, a mensagem não pode ser outra: Por favor, fique em casa neste Natal. Por si, pelos seus e por todos.