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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Rangel meteu-se num buraco pouco recomendável

Paulo Rangel decidiu trazer para o espaço público algo que só diz respeito à sua vida privada, ao assumir que é homossexual. Não se trata de tentar retirar aos seus adversários políticos (externos e internos) um tema que poderia vir a ser usado contra si. Primeiro, porque já toda a gente – pelo menos no meio político – conhecia esse facto e nunca ninguém usou isso como arma de arremesso, porque haveriam de fazê-lo agora ou no futuro? E na resposta a esta pergunta reside a segunda razão, ninguém usaria tal situação como arma de arremesso porque só sairia a perder.

Inexplicavelmente é Paulo Rangel quem decide trazer um assunto da sua vida privada para o espaço público e político. Rangel considera que “Deus não está assim tão preocupado no que que se passa no quarto de cada um”, por outro lado, faz questão de dar a conhecer ao país e ao mundo qual o género de pessoas que costumam frequentar o seu. E vai muito mais longe quando decide usar a sua orientação sexual como factor político, ao comunicar esse facto no mesmo momento em que (quase) se assumiu como candidato à liderança do PSD.

Rangel entende que a orientação sexual de cada um “não é uma coisa para ser colocada nos jornais ou nas televisões”, mas decidiu fazer da sua um caso nacional, ao falar sobre um assunto que não diz respeito a ninguém, no canal de televisão com mais audiência no país. Portanto, Rangel enfiou-se deliberadamente num buraco pouco recomendável, o de trazer assuntos pessoais – e não há nada mais pessoal que a sexualidade – para o espaço público que, no seu caso, se confunde com o espaço político.

E já deu para ver o que costuma suceder nestas situações – notícias com títulos garrafais nas primeiras páginas de tudo que é órgão de comunicação social. Algo que não se compreende. Haverá algo mais homofóbico do que fazer notícia sobre a orientação sexual de alguém? Se Paulo Rangel tivesse dito que era heterossexual, também teriam feito alarde desse facto? Porque não? Porque ser hétero é normal e por isso não carece de ser noticiado?

Paulo Rangel escolheu ir por essa via – a de usar a sua orientação sexual como forma de captar mais simpatia e votos. Eu não vejo lógica nessa intenção, mas já há até quem diga que se Rangel chegar à liderança do PSD, Portugal terá pela primeira vez um candidato a Primeiro-ministro assumidamente homossexual. Bem, o PSD já nos brindou com “o candidato mais africano”…

Portanto, a SIC deu o mote à campanha de Rangel – assente na sua orientação sexual - e foram vários os órgãos de comunicação social que se juntaram a esse desígnio.

Para já, Rangel está bem lançado e até já se pode dizer que, com a mais do que provável derrota do PSD nas eleições autárquicas deste mês, a liderança de Rui Rio ficará mais fragilizada, ficando a faltar apenas um pequeno empurrão para Paulo Rangel chegar lá.

Rangel até já estará a conjecturar como primeira medida a implementar, enquanto líder do PSD, alterar o hino do partido para: “Paz, paz, paz e liberdade”.

Realmente, só faltava mesmo um candidato que fosse assumidamente homossexual, para levar o PSD novamente ao poder. E, considerando que por essa altura também o CDS já deverá ter ao leme o Adolfo Mesquita Nunes – que usou uma estratégia semelhante - teremos, muito provavelmente, a mais genuína coligação de direita.

Mas as más-línguas também já andam por aí a dizer que com Paulo Rangel a Primeiro-ministro, o país só andará para trás.

Para mim, o mais importante é que, caso Paulo Rangel chegue a Primeiro-ministro, ele saiba pôr em prática aquilo que melhor aprendeu em Bruxelas e que, pelo menos, triplique a “receita” disponível neste país, porque também por cá a malta costuma andar cheia de sede.