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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Regresso às aulas sustentado em “parece que…”

Não há um consenso científico sobre o impacto das crianças na transmissão do novo coronavírus. É factual, não é opinião.

Os factos demonstram que há menos crianças infectadas do que adultos, mas isso não significa que uma criança tem menor probabilidade de transmitir o vírus do que um adulto.

Alguns estudos concluem que as crianças não possuem todos os receptores necessários para apanhar a doença, no entanto os mesmos estudos sustentam que são os adultos que transmitem a doença às crianças. Então, em que é que ficamos? As crianças não possuem os receptores para apanhar a doença, mas em contacto com adultos infectados já contraem a doença? Ora, “parece que” os receptores das crianças aumentam a sua “receptividade”, aquando na presença de um adulto infectado.

Os mesmos estudos sustentam que nos casos de crianças infectadas, não foram elas as primeiras a contrair o vírus, ou seja, alegam que foram infectadas por adultos que, muito provavelmente coabitam com elas. Ah sim? Em primeiro lugar, em condições normais, acho muito difícil (em muitos casos) ter-se a certeza de quem foi o primeiro a ficar infectado (o adulto ou a criança). Mas, acima de tudo, há que ter em consideração que estes estudos foram efectuados no decorrer do período de confinamento e férias, quando as crianças estavam em casa (sem frequentar as escolas) e o vírus só poderia chegar aos domicílios através dos adultos, obviamente.

Portanto, concluir que o vírus é maioritariamente espalhado entre os adultos, tomando por base estudos que tiveram como base um período de tempo em que as crianças foram mandadas para casa e aí permaneceram confinadas, não só não faz sentido como é muito perigoso.

Por outro lado, também há estudos que sustentam que a carga viral em crianças é semelhante à que está presente nos adultos, pelo que as crianças podem ser tão infecciosas quanto os adultos. Se a isto acrescentarmos o facto de as crianças terem muito maior probabilidade de estabelecer contactos de proximidade com outras pessoas, nomeadamente com outras crianças, e de não respeitar as regras de distanciamento, protecção e higiene, logo se conclui que as regras neste público não podem ser menos exigentes.

Perante um cenário de tanta incerteza seria de esperar que as autoridades políticas e de saúde tivessem uma atitude de maior prudência, algo que não se verifica, principalmente ao não obrigar ao uso da máscara nas aulas do 1.º ciclo.

Em vários países europeus, são várias as escolas que encerraram em apenas uma semana. Em Espanha, as máscaras são obrigatórias desde o primeiro ano (crianças com 6 anos). Até na Madeira, que parece que já não é Portugal, o uso da máscara será obrigatório para todas as crianças, logo a partir do 1.º ano.

Não nos devemos esquecer que o uso da máscara é a principal e mais eficaz forma de conter a propagação do vírus. Como é possível que os governantes permitam e promovam o ajuntamento de crianças num espaço fechado sem usarem máscara?

Fica-se, no mínimo, com a sensação de que este governo não tem noção do que está a fazer.