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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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Se eu sinto vergonha, o que sentirá um governante?

Há uma família que está a ser alvo de uma acção de despejo em plena pandemia. A respectiva acção, obviamente, foi interposta pelo arrendatário (dono do imóvel), uma imobiliária que não quer dar a cara. Pudera.

Não quero saber sobre os contornos da situação que, eventualmente confere ao arrendatário novo dono do imóvel o direito de expulsar os inquilinos antigos donos. Aquilo que sei é que se trata de uma família extremamente necessitada, em que o pai está doente com cancro, a mãe padece de uma doença degenerativa, estando em cadeira de rodas e o filho, que poderia ser o pilar daquela família, também não teve muita sorte, padecendo também de uma doença degenerativa que lhe causa bastantes limitações.

Quando digo que não quero saber dos restantes contornos da situação refiro-me concretamente às eventuais condicionantes que terão levado esta família ao incumprimento para com o arrendatário credor. O que eu não consigo aceitar é que uma família com tamanhas dificuldades tenha que passar por esta situação, principalmente nesta altura.

Como é possível as autoridades deste país permitirem que tal aconteça? Como é possível que o Governo central (através dos mais diversos organismos, tal como a Segurança Social), ou o poder local, concretamente a Câmara Municipal não façam nada em relação a esta grave situação? Parece que já foi sugerida uma nova casa para esta família, a questão é que essa casa não apresenta as condições de acessibilidade necessárias. Como é possível pensar-se que uma família com estas características possa habitar numa casa em que é necessário subir escadas?

Quanto à dignidade e moralidade do arrendatário novo proprietário estamos conversados.

NOTA: Como poderão verificar foram efectuadas correcções ao texto inicial, dado que as primeiras informações que obtive sobre este caso davam conta de que se tratava de uma situação entre inquilinos e arrendatário. Na verdade, trata-se de uma família que entrou em incumprimento com o pagamento das prestações da sua casa ao banco, sendo que o imóvel acabou por ser adquirido por uma imobiliária no decorrer de um processo judicial. Segundo informação disponível no site da RTP, uma decisão judicial terá impedido a tentativa de despejo por parte da imobiliária. Acresce ainda o facto de a Câmara Municipal (Sintra) estar a par da situação de emergência desta família e, segundo a mesma reportagem da RTP, esta família aguarda por uma habitação social desde 2018. De salientar ainda o facto de lhes terem cortado a água e a luz logo após o fim do Estado de Emergência. Inacreditável.

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