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Contrário

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RAPIDINHA

A cotação do petróleo continua em queda, mas os combustíveis vão aumentar. Porquê? Porque sim. Além disso, o Euro2024 está a começar e andam todos distraídos a bater palmas ao autocarro da selecção... portanto, é uma boa altura para aumentar os preços.

Sem um pingo de vergonha nas ventas

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João Gomes Cravinho, actual ministro dos Negócios Estrangeiros, continua a garantir que não lhe foi solicitada – quando era ministro da Defesa - a autorização para o brutal aumento do valor das obras realizadas no Hospital Militar de Belém.

Recordemos que o valor inicial para a realização da obra era de 750 mil euros (mais IVA) e que a factura ultrapassou os três milhões de euros. Mais de três vezes e meia do valor inicialmente previsto. Três vezes e meia!

Gomes Cravinho, que também tem sociedade numa empresa do ramo imobiliário com um indivíduo que já foi condenado por fraude fiscal, mas que – obviamente – não sabia de nada, garante que não deu autorização para o aumento do valor da obra, mas admite que tomou conhecimento que a obra iria custar mais do que o inicialmente previsto.

Vejamos, o ministro Gomes Cravinho promove e autoriza a realização de uma obra no valor de 750 mil euros. Mais tarde é informado de que esse valor, inevitavelmente vai sofrer aumentos. A obra continua, por vários meses, e o ministro recebe uma factura de mais de três milhões de euros. Como pode vir dizer que não autorizou? Como pode alguém considerar que uma decisão desta dimensão não passou pelo ministro?

Se considerarmos que o ministro fala verdade quando diz que não autorizou, mesmo tendo – segundo ele próprio admitiu - tomado conhecimento de que iria haver aumentos, como pôde a obra ter avançado sem que ele sequer questionasse o ponto da situação?

Ele alega que a decisão foi tomada pelo director-geral de recursos de Defesa Nacional. Claro. Os directores-gerais estão lá para isso mesmo, para tomar as decisões mais complicadas. Havia um grande banqueiro que tinha um contabilista que, de vez em quando, se passava dos carretos e desatava a tomar decisões sem dar cavaco a ninguém.

Mesmo que seja verdade que o director-geral tomou a decisão de avançar com a obra, sujeita a valores muito acima do inicialmente contratualizado, isso não retira a responsabilidade ao ministro, até porque ele admite que tomou conhecimento de que iria haver aumentos. Portanto, Gomes Cravinho toma conhecimento de que iriam ocorrer aumentos no valor total da obra, não se pronuncia sobre o assunto – fica em silêncio – e nem sequer deu conta que a obra avançou durante meses. Terá ele assumido que os avisos de que o valor da obra iria aumentar eram uma piada? Ou estava tão distraído que nem notou que a obra – que ele considerou como fundamental, prioritária e urgente – continuou, mesmo sem que ele se tivesse pronunciado sobre o assunto? Nem sequer se lembrou de perguntar ao seu director-geral se, entretanto havia recebido informação mais concreta sobre os referidos aumentos de valor?

Gomes Cravinho pode inventar as desculpas que bem entender, mas há algo que ele nunca vai poder apagar – a sua total incompetência para o cargo. Ele até pode insistir que não deu autorização, mas uma coisa é certa, o facto de ter tomado conhecimento de que os aumentos iriam acontecer e não ter tomado nenhuma diligência, como se o assunto não se revestisse de elevada importância, só demonstra que o anterior ministro da Defesa e actual ministro dos Negócios Estrangeiros não tem quaisquer condições para se manter no Governo. Aliás, Gomes Cravinho deve a sua demissão do Governo aos portugueses pelo menos desde 2020.

Entretanto, o director-geral que terá dado a autorização – aquela que não foi dada por Cravinho, não senhor - não foi reconduzido nas suas funções. O ministro Gomes Cravinho terá entendido que as suas costas, apesar de largas estavam já demasiado conspurcadas. Contudo, Cravinho não esquece o sacrifício do mártir e não perdeu tempo em recompensá-lo, tendo considerado adequada a sua nomeação para uma empresa das indústrias de defesa. A lata desta gente.

Até faz lembrar a outra, a que foi despedida da TAP e nomeada para a NAV. E depois para a Secretaria de Estado do Tesouro. 

Que tesourinhos.

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