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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Sinto-me grego

A União Europeia atravessa o período mais negro de toda a sua história. A UE está irremediavelmente entregue ao capitalismo, às agências de rating e aos mercados, essa coisa obscura, que ninguém sabe o que é, pelo menos estes mercados de que tanto falam.

 

A UE perdeu o juízo de vez. Não vale a pena sequer questionar se alguma vez existiu união no seio da UE, mas a verdade é que as coisas nunca estiveram tão mal. A UE está à beira de perder um dos seus elos, considerado o “elo mais fraco” pelos seus pares, incluindo Portugal. É lamentável que o governo português tome parte (na fila da frente) nesta suja campanha que está a ser lançada sobre um país que deveria ser considerado país irmão. Cada português deveria sentir-se repugnado com as declarações que o presidente da república, o primeiro-ministro e a ministra das finanças têm feito sobre a Grécia. Que gentinha baixa! Alguém aguenta aquele ar de superioridade saloia que esta gente enverga, quando diz mal dos outros? Não passam de um bando de capachos instrumentalizados nas mãos dos senhores do dinheiro. E, no entanto, é vê-los todos contentes a lamber as botas da sra. Merkel e companhia, cuspindo na cara de um povo que não difere muito de nós. Que gentinha pedante…

 

O governo português, na pessoa do senhor primeiro-ministro, farta-se de afirmar que Portugal não é a Grécia. Ora, mais uma verdade La Palisse, Portugal não é a Grécia, como também não é a Espanha, a França ou a Alemanha. Eu julguei que a riqueza da UE estava precisamente na sua diversidade e, acima de tudo, na solidariedade que os povos europeus demonstraram no passado.

 

O que podemos facilmente constatar é o facto de o governo português estar estranhamente (ou não) empenhado em que a UE e a troika não facilitem a vida ao povo grego. Isto porque eles (o governo) se portaram como autênticos sabujos perante as imposições da troika, tendo ido até mais longe. Portugal deveria estar solidário com a Grécia, deveria ser o primeiro interessado em conseguir um bom acordo para a Grécia.

 

Vejamos então por que razão Portugal não é a Grécia. Simples. Portugal tem um governo que não serve os interesses do seu povo, sacrificando a vida das pessoas em favor dos interesses obscuros dos mercados e dos seus próprios interesses. Por falar nisso, onde é que pára o Gaspar? Pois… a Luis Albuquerque prepara-se para lhe seguir as pegadas. Por outro lado, o governo grego defende acerrimamente os interesses do seu povo, colocando o bem-estar das pessoas acima de qualquer outro interesse.

 

O objectivo da UE e da troika é perpetuar o domínio dos mercados capitalistas sobre os interesses dos povos, tal como aconteceu em Portugal. As pessoas foram e continuarão a ser fustigadas por esses interesses, e o governo português é totalmente conivente com esta situação. Uma vergonha de governo!

 

A intransigência das instituições europeias perante a Grécia também é muito fácil de perceber, mas impossível de aceitar. Vejamos, se o problema fosse apenas dinheiro, a situação resolvia-se facilmente, mas não tão fácil como em Portugal, porque na Grécia existe um governo que bate o pé, e é aí que está o grande problema. A UE não quer aceitar as condições do governo grego, porque isso seria reconhecer a vitória do Syriza – um governo de esquerda, completamente antagónico aos interesses dos mercados. E, já agora, convém lembrar que é um governo legitimamente eleito pelo seu povo. Eles (os senhores do poder) sabem que se o governo grego vencer o braço-de-ferro, isso fará com que noutros países (quem sabe até em Portugal) apareçam outros “Syrizas” no poder e isso seria desastroso para… os “mercados”. Devido a esse exclusivo motivo é que as podres instituições europeias, dominadas pela senhora Merkel (Heil Angela!) e companhia, preferem deixar cair um Estado-membro. Basta reparar nas estúpidas declarações do já mais que “esquentado” Junker, que referiu que não quer saber do governo grego, que só se interessa pelo povo grego. Portanto, esqueceu-se que o povo grego legitimou o seu governo para agir desta forma, aliás, foi prometendo ao seu povo que iriam actuar desta forma que venceram as eleições. O que o manhoso do senhor Junker quer é criar uma fenda nessa ligação de apoio do povo grego ao seu governo e fazê-lo cair, mas isso não aconteceu, o povo voltou a sair à rua na Grécia, para apoiar as decisões dos seus representantes.

 

O que está em questão não é dinheiro, não senhor. A UE e a troika têm todas as condições para conseguir um bom acordo para a Grécia, bastaria um pouco de boa-vontade e tudo se resolveria. Aliás, não se compreende qual a razão pela qual as instituições europeias aceitam que este clima de instabilidade se mantenha por tanto tempo. Já não têm medo daquilo que os mercados vão pensar? É que estes mercados pensam, e muito… Já não estão preocupados com o que as agências de rating norte-americanas vão dizer sobre a zona Euro? Pois claro que não. Mais importante que tudo isso é a empreitada capitalista para eliminar o governo grego. Os mercados não vão "dizer" nada de mal que cause instabilidade à zona Euro, a única instrução dada aos fantoches que ocupam os lugares de decisão nas instituições europeias é: Tratem de eliminar esses esquerdistas do Syrisa, que nos estão a estragar o esquema!

 

Voltando à afirmação do primeiro-ministro. Se Portugal não é a Grécia e, recordemos que Passos Coelho sempre disse isso; Se Portugal não tem problemas em financiar-se nos mercados; Se Portugal tem os cofres cheios (só se for de dívida), por que razão exige (vejam só a latosa do roto a cuspir no esfarrapado) que a Grécia tenha que se submeter a uma nova dose de austeridade? Não é difícil de perceber que se o governo grego conseguir vencer este braço-de-ferro, o governo de Passos Coelho cai por terra definitivamente. E atrás dele, muitos outros governos da direita putrefacta por essa Europa fora.

 

Outra curiosidade, para o actual governo português, presidido por Cavaco Silva, a culpa da entrada da troika em Portugal é da exclusiva responsabilidade do anterior governo. Já na Grécia, a culpa é do Syrisa, que acabou de chegar…

 

Cada vez que ouço estes boçais que nos governam, sinto-me grego.

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