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Contrário

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Sobre a sobra de vacinas

Tenho ouvido muita gente dizer que é perfeitamente normal que ocorra sobras de vacinas, porque algumas pessoas confirmadas podem não comparecer ao processo de vacinação em curso.

Pedro Marques Lopes é um dos que alinha nessa linha de raciocínio. Eu até concordaria com ele e todos os que dão a mesma justificação, desde que isso não fosse usado como razão para desculpar a inoperância de quem tem a obrigação de evitar que tal aconteça.

Pedro Marques Lopes disse que “é preciso perceber a questão das sobras [das vacinas]”. E vaticinou que “é impossível regulamentar completamente a utilização das sobras”.

E deu o seguinte “simples” exemplo, que justifica a sua posição: “Um centro de saúde tem 300 pessoas para vacinar amanhã. Contactou-as todas. Confirmou. E, de repente, não aparecem cinco à última da hora e estamos para fechar o centro de saúde”. Pedro Marques Lopes remata com o seguinte dilema: “ou se deitam fora ou se faz o quê? Aplicam-se às primeiras pessoas que apareçam”.

Muito bem. Esta explicação – a título de exemplo – até poderia ser aceitável se não existisse um governo, um ministério da saúde, uma DGS, várias ARS e – pasmemo-nos todos – uma task force constituída por peritos, especialmente criada para planear e implementar as regras de vacinação.

Ora, seria muito fácil evitar a situação exemplificada pelo comentador Pedro Marques Lopes. Bastaria que o referido centro de saúde - juntamente com as mais diversas autoridades da saúde envolvidas no processo e, especialmente, a task force - tivesse criado uma lista de utentes suplentes (tendo por base os critérios previamente definidos) que estivessem disponíveis para serem vacinados, no caso de alguém faltar. Isto é que me parece muito “simples” de se fazer. Até porque a maioria das pessoas encontra-se em casa, neste momento, e, muito rapidamente, poderiam deslocar-se ao centro de saúde que, como bem sabemos, se situa nas suas áreas de residência, portanto, a poucos minutos.

Obviamente que o centro de saúde teria que ter em conta o facto de não poder deixar para a “última da hora” para contactar os suplentes, muito menos deixá-lo para fazer depois da hora de fecho do serviço. Chama-se a isto “planear”. Eu julgava que isso já estava a ser feito com o máximo dos rigores. Tal não se verificou e não adianta tentar arranjar desculpas esfarrapadas, para mais um caso de incompetência.

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